Chefe de esquema de fraudes bancárias se entrega à PF em Piracicaba após operação
Chefe de fraudes bancárias se entrega à PF em Piracicaba (31.03.2026)

Chefe de esquema milionário de fraudes bancárias se entrega à Polícia Federal em Piracicaba

A Justiça determinou, nesta terça-feira (31), a liberação de 18 investigados que haviam sido presos durante a Operação Fallax, deflagrada na última quarta-feira (25) pela Polícia Federal (PF) para combater um sofisticado esquema de fraudes bancárias. Três suspeitos continuam foragidos, conforme confirmado pelo delegado da PF Florisvaldo Emílio das Neves ao g1.

Apurações continuam com análise de documentos apreendidos

Segundo o delegado, as investigações seguem normalmente, com a minuciosa análise de documentos apreendidos, além de dados fiscais e bancários. Caso seja necessário, os alvos que forem localizados poderão prestar depoimento às autoridades.

Entre os liberados está Thiago Branco de Azevedo, de 41 anos, conhecido como Ralado. O morador de Americana (SP) é apontado como um dos principais líderes da organização criminosa.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Esquema utilizava empresas de fachada e "laranjas"

De acordo com as investigações da Polícia Federal, a organização praticava fraudes bancárias mediante o uso de empresas de fachada, "laranjas" e cooptação de agentes do sistema financeiro. Pessoas eram pagas com valores considerados "ínfimos", como R$ 150 e R$ 200, para emprestar seus nomes ao esquema.

Gerentes de banco também recebiam "comissões" como pagamento por participarem da fraude. Conforme apurou a PF, o grupo abriu múltiplas contas bancárias e celebrou contratos de empréstimo milionários, com movimentações identificadas de, pelo menos, R$ 47 milhões.

Detalhes da operação e estrutura do esquema

As apurações resultaram em 21 mandados de prisão expedidos pela Justiça. Na última quarta-feira, dia da operação, 15 pessoas foram presas. Já na última sexta-feira (28), outras três pessoas se apresentaram na delegacia da PF em Piracicaba (SP), incluindo Ralado. Os 18 presos só foram liberados nesta terça-feira.

Os três alvos que seguem foragidos são:

  • Ariovaldo Alves de Assis Negreiro Junior, de Osasco (SP)
  • Igor Gustavo Martins Avela, de São Paulo (SP)
  • Carlos Ramiro Rodrigues, de Rio Claro (SP)

O g1 não conseguiu localizar as defesas desses suspeitos. Além dos 21 que tiveram prisão decretada, há outros 12 suspeitos, que foram alvos apenas de mandados de busca e apreensão.

Estrutura organizada em quatro núcleos especializados

O esquema criminoso possuía uma estrutura organizada em quatro núcleos especializados:

  1. Bancário: responsável pela viabilização de abertura de contas, concessão de crédito e fornecimento de informações internas do sistema financeiro.
  2. Contábil: atuava na elaboração de documentos para pedidos de crédito, como declarações fiscais, demonstrações contábeis e comprovantes de endereço.
  3. Financeiro: fazia a gestão de contas bancárias em nome de "laranjas", emissão e pagamento de boletos, controle de máquinas de cartão e a realização de transferências.
  4. Cooptação: responsável por identificar e aliciar potenciais "laranjas" para figurarem como sócios de empresas fictícias.

Raio X completo da Operação Fallax

A operação teve abrangência nacional com:

  • 43 mandados de busca e apreensão e 21 mandados de prisão nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia
  • 18 pessoas presas e três foragidas
  • Apreensão de computadores, documentos e aparelhos celulares relacionados à operação
  • Bloqueio e sequestro de bens imóveis, veículos e ativos financeiros até o limite de R$ 47 milhões
  • Quebra de sigilo bancário e fiscal de 33 pessoas físicas e 172 pessoas jurídicas
  • 172 empresas que conseguiram obter financiamentos em várias instituições financeiras

Métodos sofisticados para dificultar rastreamento

Segundo a Polícia Federal, a organização utilizava empresas de fachada e estruturas empresariais complexas para dissimular a origem dos recursos ilícitos. Funcionários cooptados de instituições financeiras inseriam dados falsos nos sistemas bancários para viabilizar saques e transferências indevidas.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar

Os valores fraudados eram convertidos em bens de luxo e criptoativos, com o intuito específico de dificultar o rastreamento pelas autoridades. As investigações indicam que as fraudes podem alcançar valores superiores a R$ 500 milhões.

Entre os outros suspeitos está Rafael Ribeiro Leite Góis, sócio-fundador e CEO do Grupo Fictor. Sua defesa afirmou que vai prestar esclarecimentos necessários às autoridades assim que tiver acesso ao conteúdo completo da investigação.