Celular de suspeita de envenenamento por açaí foi resetado após ela saber da investigação
Celular de suspeita de envenenamento foi resetado após investigação

Celular de suspeita de envenenamento por açaí foi resetado após ela saber da investigação

O celular da jovem suspeita de colocar chumbinho no copo de açaí do namorado em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, foi resetado um dia depois de ela comparecer à delegacia pela primeira vez e tomar conhecimento de que estava sendo investigada. A informação consta no inquérito policial, obtido junto ao Ministério Público, e revela um detalhe crucial no caso que chocou a região.

Reset apagou dados relevantes para a perícia

Larissa de Souza, de 26 anos, foi indiciada por tentativa de homicídio qualificado após o namorado, Adenilson Ferreira Parente, de 27 anos, passar mal ao consumir o açaí e precisar de internação na Unidade de Terapia Intensiva. A Polícia Civil informou que a perícia constatou que o aparelho da suspeita foi resetado no dia 11 de fevereiro, o que resultou na remoção completa dos dados armazenados. Além disso, cerca de uma hora após esse procedimento, foi gerado um último backup logo após a reconfiguração do dispositivo.

Diante disso, a perícia não encontrou no celular de Larissa nenhum elemento relevante para a investigação, situação similar ao aparelho de Adenilson, que também foi periciado. O inquérito ainda destaca que, no dia em que a mulher esteve na delegacia pela primeira vez, foi solicitado que ela retornasse no período da tarde, mas Larissa não compareceu. A suspeita nega qualquer envolvimento no caso, enquanto Adenilson afirmou em depoimento que acredita na inocência da namorada.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Contradições sobre a adição de leite condensado

A maneira e o momento em que o chumbinho foi colocado no copo de açaí ainda são pontos que precisam ser esclarecidos pelas investigações. Entre os depoimentos que constam no inquérito, estão o de Larissa e de funcionárias da loja onde o açaí foi comprado. As versões são conflitantes quanto à adição de leite condensado.

A jovem afirma que misturou leite condensado ao copo de açaí que comprou na loja, alegando que o item veio separado. Já as funcionárias, ouvidas como testemunhas, disseram que o pedido feito por ela não constava item extra. O inquérito policial também traz o depoimento do gerente do estabelecimento, que cita que todos os ingredientes escolhidos por Larissa para os dois pedidos de açaí – morango, leite condensado e amendoim – foram misturados dentro dos copos durante a preparação na cozinha.

O comprovante do pedido, feito por aplicativo, e as imagens da câmera de monitoramento interna da loja também foram analisados pela polícia e, segundo as investigações, comprovam as versões apresentadas pelas funcionárias e pelo gerente. A possibilidade de que o envenenamento tenha ocorrido dentro do estabelecimento foi descartada pelas autoridades desde o início das investigações.

Imagens de câmeras de segurança flagraram momento suspeito

O caso aconteceu no dia 5 de fevereiro, quando Larissa foi a uma loja na Avenida Barão do Bananal, zona Leste da cidade, por volta das 16h, para retirar o pedido de dois copos de açaí com morango, leite condensado e amendoim. Imagens de câmeras de segurança de vizinhos do casal mostram o momento em que Larissa e Adenilson chegaram em casa de carro.

Ela carregava uma sacola com os dois copos de açaí e entregou um deles ao namorado antes de entrar na residência. Segundo a polícia, ainda dentro do carro, Larissa teria colocado algo dentro de um dos copos de açaí e depois descartou um saquinho plástico em via pública. No depoimento, ela afirmou que adicionou leite condensado, que veio à parte.

Nas imagens, também é possível notar que, na sequência, a jovem entregou o copo ao namorado e entrou na casa. Ele deixou o açaí no chão e saiu com o carro. Minutos depois, Larissa foi até a garagem, recolheu o copo e entrou novamente na casa. Adenilson retornou à residência e ficou no local por cerca de 20 minutos.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar

Vítima passou mal e foi internada em estado grave

Por volta das 20h, a câmera de segurança da loja onde o açaí foi comprado flagrou o casal retornando ao local para reclamar da compra. Adenilson já sentia queimação na garganta, tontura, sonolência intensa e gosto de óleo de motor de carro. O jovem foi levado para uma Unidade de Pronto Atendimento, mas precisou ser encaminhado para a Unidade de Emergência do Hospital das Clínicas, onde permaneceu internado na UTI.

Ele se recuperou, recebeu alta médica e está bem de saúde. No único depoimento que deu à polícia, quando ainda estava internado, Adenilson disse acreditar na inocência da namorada e afirmou que os dois sempre tiveram uma relação harmoniosa. Ele também disse não haver razões para o crime porque não tem seguros de vida ou bens que pudessem beneficiar a namorada.

Laudo confirma presença de substância tóxica no copo

Na semana passada, um laudo do Instituto Médico Legal confirmou a presença de terbufós no copo de açaí. A substância é um dos principais princípios ativos do chumbinho e serve, principalmente, para controle de pragas de solo em plantações. Em depoimento à polícia no dia 19 de fevereiro, Larissa negou que tenha envenenado o namorado.

MP investiga detalhes do lacre do copo de açaí

Ao solicitar novos depoimentos da vítima e das duas funcionárias da loja, o Ministério Público pede à Polícia Civil que Adenilson descreva minuciosamente como foi aberto o lacre e como estava o copo de açaí antes de ser consumido. Das funcionárias do estabelecimento, o MP quer detalhes de como é o material do lacre e o local exato da aplicação, para saber se é tecnicamente possível abri-lo e restaurá-lo em casa, sem deixar vestígios como marcas de cola ou dobras.

O promotor Elizeu Berardo destacou a importância dessas informações, afirmando que a vítima disse que, quando foi pegar o copo para tomar um suco, estava intacto. O MP ainda pede apresentação de fotografias de um produto similar lacrado para análise da tampa e quer saber se houve ou não a entrega de qualquer item extra feito pelo casal. As datas das novas oitivas ainda não foram definidas.