Caso Henry Borel: Prefeito do Rio exonera Monique Medeiros por 'morosidade da Justiça'
A exoneração de Monique Medeiros, ré pela morte do filho Henry Borel, de 4 anos, do cargo de professora da rede municipal do Rio de Janeiro foi oficializada nesta quarta-feira, 25 de março de 2026. A decisão, publicada no Diário Oficial, foi tomada pela prefeitura do Rio diante da morosidade da Justiça para julgar o caso, conforme afirmou o prefeito Eduardo Cavaliere.
Justificativa da demissão e impacto financeiro
Com a exoneração, Monique Medeiros deixa de ser servidora municipal e de receber o salário líquido de R$ 2.887,73. Antes de ser presa, quando ainda recebia descontos, o valor era de R$ 5.036,74. Cavaliere explicou que a decisão foi técnica, resultante de análise conjunta das secretarias de Educação e de Integridade.
"Ela está demitida. Se depender da prefeitura, não trabalha mais no município. A decisão foi tomada após análise conjunta das secretarias de Educação e de Integridade. Foi uma decisão técnica, tomada pela prefeitura diante da morosidade da Justiça para julgar o caso", declarou o prefeito. "Havia um risco de reputação para a prefeitura ao manter Monique."
Contexto do caso e reviravoltas no julgamento
A movimentação ocorre após uma reviravolta no processo judicial. O julgamento, inicialmente previsto para segunda-feira, 23 de março, foi adiado após a defesa do ex-vereador Dr. Jairinho abandonar o plenário. Jairinho, padrasto da criança, foi denunciado como executor, enquanto Monique é acusada por omissão diante das agressões sofridas por Henry, segundo o Ministério Público.
Os advogados Zanone Júnior e Fabiano Lopes alegaram não ter acesso a todas as provas do processo, argumentando que o julgamento não seria justo. A defesa já havia pedido o adiamento da sessão, mas todos os requerimentos foram negados pelo Tribunal de Justiça do Rio e pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Manobras processuais e adiamento do julgamento
A defesa solicitou a suspensão do julgamento ou, alternativamente, o desmembramento do processo para que Jairinho e Monique fossem julgados separadamente. A juíza Elizabeth Machado Louro negou as duas sugestões, o que levou os advogados de Jairinho a abandonarem o plenário em protesto por suposto cerceamento de defesa.
Sem a presença dos advogados, o júri não pôde continuar. A manobra foi considerada abusiva pela juíza, que determinou a notificação da OAB para abertura de processos disciplinares contra os profissionais. A sessão foi remarcada para 22 de maio de 2026, quando sete jurados leigos serão sorteados para formar o conselho de sentença.
Monique Medeiros, que já esteve presa, atualmente está em liberdade após manobras da defesa de Jairinho que também a beneficiaram. Em declarações anteriores, ela afirmou: "Só Deus, meu filho e Jairinho sabem o que aconteceu naquela madrugada".



