Polícia Civil detalha caso de servidora vítima de suposto estupro em delegacia do Piauí
Caso de servidora vítima de estupro em delegacia do Piauí

Caso de servidora vítima de suposto estupro em delegacia do Piauí é detalhado pela polícia

A servidora encontrada desacordada e com sangramento dentro da Delegacia-Geral da Polícia Civil do Piauí, em Teresina, foi transferida na tarde desta segunda-feira (23) para um hospital particular. Ela permanece em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI), em estado grave, conforme confirmado pela advogada Nathália Freitas, que representa a mulher. A polícia suspeita que a servidora tenha sido vítima de estupro, e o caso está sob investigação aprofundada.

Exames toxicológicos e condição da vítima

Em coletiva de imprensa, o delegado-geral da Polícia Civil do Piauí, Luccy Keiko, informou que a mulher passou por diversos exames, incluindo toxicológicos, para averiguar a possibilidade de ter sido dopada. "Ela ficou inconsciente. O que vimos de lesão visível externa foi uma luxação no punho, uma possível fratura no punho. Como ela sangrou muito, ela perdeu a consciência", contou Keiko. Ele destacou que, segundo a família, a vítima apresenta confusão mental e pede socorro quando acorda, necessitando de cuidados especiais para evitar revitimização.

Suspeito preso e versões conflitantes

O prestador de serviço terceirizado, preso preventivamente desde quinta-feira (19) por suspeita de estupro, tentou culpar a vítima em depoimento. "Em segundo depoimento admitiu o ato [sexual], mas tentou culpabilizar a vítima. Alegou que teria sido uma relação consensual", disse o delegado-geral. O caso ocorreu durante o horário de almoço dos servidores, por volta das 13h, quando outra funcionária viu o homem saindo de uma sala e encontrou a vítima desacordada.

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Luccy Keiko ouviu pessoalmente o terceirizado, que apresentou duas versões conflitantes. "Achei ele uma pessoa fria", afirmou o delegado. O suspeito, contratado em 2018 e que trabalhou no Instituto de Medicina Legal (IML), foi designado há cerca de três meses para a nova sede da Delegacia Geral, atuando em setor diferente da vítima. Ele já foi investigado por envolvimento no linchamento de um homem suspeito de assalto há cerca de 10 anos, detalhe que está sendo analisado pela polícia.

Abordagem à filha da vítima e investigações em andamento

A filha da servidora afirmou que o suspeito a abordou na delegacia para fazer perguntas íntimas sobre a mãe. Em entrevista à TV Clube, com identidade preservada, ela revelou: "Ele fez perguntas pessoais sobre a minha mãe: se ela estava bem, se o sangramento que ela teve tinha parado, se algo mais tinha sido encontrado na região íntima... Foi bem incisivo nisso e estava se mostrando nervoso". O delegado-geral disse que vai investigar a abordagem, notando que o terceirizado estava acompanhado por representantes da Casa da Mulher Brasileira.

A filha só foi informada de que a mãe poderia ter sofrido estupro às 0h de sexta-feira (20), após ser chamada à Casa da Mulher Brasileira às 14h30 da quinta. Até então, ela pensava que a mãe tinha tido um mal súbito. A servidora está internada em estado grave na UTI de um hospital público desde quinta, com a família tentando transferi-la para um particular e aguardando resposta do plano de saúde estadual.

Medidas tomadas e próximos passos

A Polícia Civil apreendeu os celulares da vítima e do suspeito para investigar possíveis conversas. Luccy Keiko solicitou a demissão do servidor e designou delegadas especializadas, como Nathalia Figueiredo do Núcleo de Feminicídio, Lucivania Vidal da Casa da Mulher Brasileira, e Bruna Verena da diretoria de Proteção à Mulher, para acompanhar o caso. "Quando recebermos os laudos do IML, vamos verificar realmente se pode ter ocorrido uma tentativa de feminicídio", completou o delegado-geral, enfatizando a gravidade das investigações.

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