Casal é morto e carro queimado em Rorainópolis; operação cumpre 17 mandados
Casal morto em Rorainópolis; operação cumpre 17 mandados

Casal desaparece e carro é encontrado queimado em Rorainópolis

Um casal de empresários foi encontrado morto e carbonizado dentro de seu veículo em Rorainópolis, no sul de Roraima, em um crime que chocou a região. As vítimas são Edgar Silva Pereira, de 60 anos, conhecido como "Mãozinha", e sua esposa, Rossana de Lima e Silva, de 49 anos. O desaparecimento ocorreu em 17 de dezembro de 2025, e os corpos foram localizados no dia seguinte em uma caminhonete totalmente incinerada na vicinal 31.

Operação policial cumpre 17 mandados de busca e apreensão

Nesta quinta-feira (19), uma operação conjunta da Polícia Civil de Roraima cumpriu 17 mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos investigados pelo assassinato do casal. A ação, autorizada pela Vara Criminal de Rorainópolis, com decisão assinada pelo juiz Raimundo Anastácio Carvalho Dutra Filho, tem como objetivo apreender dispositivos eletrônicos, armas, munições, documentos de agiotagem, dinheiro em espécie e veículos de origem ilícita.

Os mandados estão sendo executados em Boa Vista e em municípios do interior, vinculados a pelo menos sete pessoas investigadas. Entre os nomes citados estão:

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  • Paulo Sérgio de Souza – advogado
  • Werley Gomes de Oliveira – empresário, conhecido como "Lourinho"
  • Francisca Sousa do Nascimento
  • Antonio de Medeiros Chaves Filho
  • Lauro Augusto do Nascimento
  • Gebson Brito de Oliveira
  • Ualace de Souza

Investigação aponta esquema de agiotagem e lavagem de dinheiro

A investigação da Polícia Civil revelou que o casal operava um esquema de agiotagem, e que as vítimas e os alvos da operação mantinham "relações conflituosas". A decisão judicial cita indícios de lavagem de dinheiro mediante contratos fictícios de honorários advocatícios e transferências suspeitas de bens imóveis e veículos para o nome do investigado Paulo Sérgio de Souza pouco antes do crime.

O documento também menciona depoimentos sobre ameaças feitas pelo empresário Werley Gomes de Oliveira, e que Gebson Brito de Oliveira, conhecido como "Bill", seguiu as vítimas de moto antes de elas desaparecerem. Câmeras de segurança registraram o casal nervoso após receber ligações telefônicas antes de sair de casa, no dia do desaparecimento.

Complexidade do caso exige medidas especiais

Devido à gravidade e à complexidade do caso, a investigação foi transferida da Delegacia de Polícia de Rorainópolis para a Delegacia Geral de Homicídios (DGH) a partir de 24 de dezembro de 2025. A operação conta com o apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e da Promotoria de Justiça de Rorainópolis, do Ministério Público de Roraima (MPRR).

O juiz destacou em sua decisão uma "tática de ocultação de provas em galpões, fazendas e escritórios vinculados ao grupo, dada a alta capacidade econômica e logística deles". Por isso, foi decretada a quebra do sigilo telefônico e telemático de todos os aparelhos apreendidos, além da extração completa de mensagens, e-mails, fotos e histórico de localização.

"No caso, a extração de dados é o único meio capaz de desvelar a cadeia de comando e a motivação financeira (agiotagem/lavagem) por trás das execuções. A medida é proporcional e necessária, abrangendo inclusive dados em 'nuvem' para evitar a perda de provas por exclusão remota", afirmou o magistrado.

Família aguarda respostas

Familiares do casal informaram à polícia que Edgar e Rossana saíram de casa para resolver um assunto rápido, deixaram os filhos e não retornaram. A reportagem tentou contato com os advogados e empresários investigados, mas não obteve resposta até o momento. A defesa dos demais citados também está sendo procurada.

Esta operação marca um passo significativo na busca por justiça para um crime brutal que permanece sob intensa investigação, com autoridades determinadas a esclarecer todos os detalhes e responsabilizar os envolvidos.

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