Influenciador Breno Faria é alvo de denúncia ao MPF por conteúdo misógino em redes sociais
O conteúdo publicado por Breno Faria, influenciador digital e agente da Polícia Rodoviária Federal (PRF), no perfil do Instagram Café com Teu Pai, está no centro de uma representação formal enviada ao Ministério Público Federal (MPF). A denúncia, protocolada recentemente, aponta a presença de falas claramente misóginas e discriminatórias contra mulheres em diversos vídeos do criador, que acumula mais de um milhão de seguidores na plataforma.
Deputada estadual do PSOL-SP lidera a ação com apoio de advogadas
A representação foi assinada pela deputada estadual Ediane Maria, do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL-SP), e conta com o respaldo de uma equipe de advogadas especializadas em direitos humanos. O documento argumenta que parte do material divulgado por Faria carrega uma forte carga de estereotipação e desqualificação de mulheres, contribuindo ativamente para a disseminação de discursos misóginos na sociedade brasileira.
Segundo a denúncia, os vídeos analisados promovem visões prejudiciais sobre o comportamento feminino, incentivando a desigualdade de gênero e reforçando padrões arcaicos. A ação judicial busca responsabilizar o influenciador por possíveis violações legais relacionadas à discriminação e ao incitamento ao ódio.
Exemplos específicos de falas misóginas citadas na denúncia
Entre os conteúdos destacados na representação ao MPF, estão vídeos onde Breno Faria faz afirmações consideradas profundamente ofensivas e preconceituosas. Em uma das gravações, o influenciador declara que mulheres com múltiplos parceiros sexuais seriam "vagabundas", enquanto homens na mesma situação seriam valorizados e elogiados pela sociedade.
Na mesma publicação, Faria utiliza uma analogia considerada degradante, comparando mulheres a objetos: "uma chave que abre todas as fechaduras é uma chave mestra, mas uma fechadura que abre por qualquer chave não presta". Essa metáfora, segundo a denúncia, reduz a autonomia feminina a um estigma moral inaceitável.
Outros exemplos mencionados no documento incluem:
- A afirmação de que "mulher rodada não perde fama", perpetuando julgamentos morais sobre a vida sexual das mulheres.
- Conteúdos que defendem que mulheres adotem comportamentos mais "doces" e evitem confrontos diretos, limitando sua expressão e independência.
- Comparações de relacionamentos amorosos a técnicas de adestramento, o que desumaniza e objetifica as parceiras.
Contexto do influenciador e repercussões potenciais
Breno Faria, que além de influenciador digital atua como agente da PRF, construiu uma audiência significativa focada em temas de relacionamentos e comportamento feminino. No entanto, a denúncia ao MPF coloca em xeque a ética de seu conteúdo e pode ter sérias implicações profissionais e legais.
A representação ressalta que discursos como os propagados por Faria não apenas ferem a dignidade das mulheres, mas também alimentam um ambiente digital tóxico, com impactos reais na vida cotidiana. A expectativa é que o Ministério Público Federal analise o caso com rigor, podendo resultar em ações civis ou criminais contra o influenciador.
Este episódio reflete um debate crescente sobre a responsabilidade de criadores de conteúdo nas redes sociais, especialmente quando figuras públicas misturam suas profissões institucionais com atividades digitais que propagam discriminação. A sociedade acompanha atentamente os desdobramentos, que podem estabelecer precedentes importantes para o combate à misoginia online no Brasil.



