Bombeiro civil recebe condenação por morte de empresário em casa noturna de Araraquara
O bombeiro civil Agnaldo Francisco Rodrigues foi condenado a 5 anos e 10 meses de prisão, em regime inicial semiaberto, pela lesão corporal seguida de morte do empresário Fábio Luis Alves Gaspar, conhecido como Fabinho Cross. O crime ocorreu na boate Almanaque, localizada em Araraquara, no interior de São Paulo.
Detalhes do caso e condenação
A morte do empresário aconteceu no dia 1° de setembro de 2024, após ele ser agredido por cinco homens dentro da casa noturna. Entre os agressores, estavam quatro funcionários do estabelecimento e um cliente. O laudo necroscópico do Instituto Médico Legal (IML) apontou que a vítima faleceu devido a asfixia mecânica, mais especificamente por estrangulamento.
O Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP) denunciou os cinco envolvidos. Na terça-feira, 3 de fevereiro, o Tribunal do Júri decidiu, por unanimidade, desclassificar o crime de homicídio para lesão corporal seguida de morte no caso do bombeiro civil. A pena aplicada permite que Agnaldo saia durante o dia para trabalhar ou estudar, retornando à unidade prisional para dormir.
Posicionamento das partes envolvidas
O advogado de defesa, Roberto Romano, afirmou que irá recorrer da sentença, buscando uma revisão da pena aplicada. Por outro lado, a assistente de acusação, Josimara Veiga Ruiz, que representa a família de Fabinho Cross, destacou a gravidade do caso.
"Num universo de mais de 30 golpes suportados por Fábio Cross enquanto era asfixiado e imobilizado pelos outros quatro réus, o bombeiro civil, julgado hoje, deu apenas um único soco – somado a outros atos e omissões que contribuíram para o resultado fatal", declarou Josimara.
A advogada ainda ressaltou que a família aguarda que a Justiça seja rigorosa com os demais acusados, que ainda serão julgados.
Situação dos outros acusados
Enquanto o bombeiro civil já foi julgado, os outros quatro homens envolvidos no caso continuam respondendo em liberdade. Eles recorreram da decisão de pronúncia, argumentando que não deveriam ser julgados por homicídio. O julgamento desse recurso está marcado para o dia 5 de março no Tribunal de Justiça de São Paulo.
Inicialmente, o MP-SP havia solicitado a prisão de todos os acusados. Três deles foram presos – dois seguranças e um cliente –, mas o gerente da boate e o bombeiro civil permaneceram foragidos. Posteriormente, a defesa do cliente conseguiu uma decisão no Superior Tribunal de Justiça (STJ) para responder ao processo em liberdade, o que acabou sendo estendido aos demais.
Relembrando os fatos
De acordo com o boletim de ocorrência, policiais militares foram acionados pelo gerente da casa noturna após Fabinho Cross ser retirado do local por estar alterado e causando confusão. Testemunhas relataram que o empresário quebrou uma garrafa de uísque que havia comprado e foi contido com um golpe do tipo "mata-leão" por seguranças.
Quando os policiais chegaram, a vítima já havia sido levada para a Santa Casa de Araraquaria pelo Samu, após passar mal. Fabinho Cross não resistiu e faleceu no hospital. A boate Almanaque publicou uma nota em suas redes sociais lamentando o ocorrido e afirmando que colaborava com as investigações.



