Banqueiro e empresário são transferidos para presídio de alta segurança em Potim
Banqueiro e empresário vão para presídio de Potim

O proprietário do Banco Master, Daniel Vorcaro, e o empresário Fabiano Zettel foram transferidos na manhã desta quinta-feira (5) para a Penitenciária 2 de Potim, localizada a aproximadamente 195 quilômetros da capital paulista. A chegada ocorreu por volta das 8 horas, e ambos foram encaminhados para uma cela de observação, seguindo o protocolo padrão de admissão na unidade prisional.

Procedimento de segurança e integração

Durante os próximos dez dias, a direção da penitenciária realizará uma avaliação completa para determinar se existe algum risco específico na integração dos detentos com os demais presos do estabelecimento. Caso não sejam identificados problemas, eles serão transferidos para o pavilhão do regime fechado, onde passarão a conviver com os outros reeducandos. Esse período de observação é fundamental para garantir a segurança interna e adaptar os novos ingressos ao ambiente carcerário.

A "nova casa dos famosos" no Vale do Paraíba

Situada no município de Potim, no Vale do Paraíba, a Penitenciária 2 vem sendo informalmente apelidada nos bastidores como o "novo presídio dos famosos". A unidade tem concentrado uma série de detentos envolvidos em casos que geraram grande comoção e repercussão em nível nacional, transformando-se em um local de custódia para figuras de notoriedade pública.

A transferência de Vorcaro e Zettel foi autorizada após o ministro André Mendonça, relator da Operação Compliance Zero no Supremo Tribunal Federal (STF), acolher um pedido formal da Polícia Federal. A corporação alegou que o Centro de Detenção Provisória 2 de Guarulhos, onde os investigados estavam anteriormente detidos, não possuía a infraestrutura adequada para garantir a custódia segura dos acusados.

Acusações e contexto investigativo

Daniel Vorcaro e Fabiano Zettel encontram-se presos preventivamente, sem prazo definido para a conclusão da medida. Eles são acusados pela Polícia Federal de integrar um grupo informal conhecido como "A Turma", que supostamente atuava para monitorar, intimidar e coagir indivíduos considerados adversários do banqueiro. As investigações apontam para uma rede de atividades ilícitas com o objetivo de proteger interesses particulares através de meios ilegais.

Estrutura e capacidade da penitenciária

A Penitenciária 2 de Potim foi inaugurada no ano de 2002 e possui uma área construída de quase 8.000 metros quadrados. A unidade tem capacidade oficial para abrigar até 844 pessoas, mas atualmente mantém 472 reeducandos em suas dependências. A cidade de Potim é conhecida por ser uma rota de peregrinos que se dirigem ao Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, localizado na cidade vizinha.

O complexo começou a receber presos famosos após a penitenciária de Tremembé, que virou tema de uma série de streaming, passar por um processo de reestruturação. A unidade de Tremembé deixou de abrigar detentos de alta notoriedade e casos que geram grande comoção social, focando agora exclusivamente no regime semiaberto.

Diferenças arquitetônicas e de segurança

A principal distinção entre a Penitenciária 2 de Potim e a unidade de Tremembé reside no modelo de construção e no conceito de segurança. A primeira apresenta características típicas de um presídio comum, com grandes muralhas e estruturas consideradas de alta segurança. Já a segunda possui um conceito mais aberto, dando a impressão visual de um regime semiaberto, apesar de também abrigar detentos em situação similar.

Ambas as unidades, em tese, não abrigam presos faccionados. A maioria dos detentos é composta por familiares de policiais ou próprios policiais, o que cria um perfil específico de população carcerária nessas instituições.

Outros detentos notórios da unidade

A Penitenciária 2 também abriga outros presos de grande repercussão nacional. Entre eles está o empresário do ramo imobiliário Sérgio Nahas, condenado pelo assassinato de sua esposa, Fernanda Orfali, em 2002. Na época, ele afirmou que a esposa teria cometido suicídio após uma discussão, versão contestada pela acusação. Laudos periciais indicaram que o disparo que matou Fernanda foi feito a uma distância superior a 50 centímetros e não havia resíduos de pólvora nas mãos dela.

O Ministério Público sustentou que se tratava de homicídio duplamente qualificado. Condenado inicialmente a sete anos em regime semiaberto, Nahas recorreu e aguardava julgamento em liberdade. Em 2025, o Supremo Tribunal Federal aumentou a pena. Ele foi preso na Bahia e transferido para São Paulo, passando a cumprir pena em Potim.

Casos de grande impacto nacional

Também está detido no local Roger Abdelmassih, médico especializado em reprodução assistida e condenado por dezenas de estupros cometidos contra pacientes em sua clínica. Em 2010, ele foi condenado a 278 anos de prisão por estupro e atentado violento ao pudor. Antes do trânsito em julgado, fugiu do país e foi localizado em 2014 no Paraguai. Após a extradição, passou a cumprir pena no Brasil. A pena foi posteriormente redimensionada, mas ele segue em regime fechado. O caso é considerado um dos maiores escândalos criminais da área médica no país.

Desde o final do ano passado, está também no complexo o ex-auditor fiscal da Sefaz-SP Artur Gomes da Silva Neto, preso preventivamente sob acusação de receber propinas milionárias de redes de varejo para liberar e acelerar o recebimento de créditos de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços). Apontado como figura central de esquema de fraudes em créditos tributários, a investigação aponta que ele teria usado sua posição na Sefaz-SP para acelerar e aprovar indevidamente processos que beneficiavam companhias como Ultrafarma e Fast Shop, em troca de pagamentos milionários.

Gomes Neto é alvo de denúncias por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e participação em organização criminosa. Outro preso de Potim 2 é o empresário Fernando Sastre de Andrade Filho, 24, após a morte do motorista de aplicativo Ornaldo Silva Viana, 52, em uma batida na madrugada de 31 de março, na zona leste de São Paulo.

Acidente fatal e consequências judiciais

De acordo com a investigação, o empresário perdeu o controle do Porsche e atingiu a traseira de um Renault Sandero conduzido por Viana, que não resistiu aos ferimentos. Sastre deixou o local do acidente e se apresentou à polícia mais de 30 horas depois. Ele responde por homicídio com dolo eventual - quando assume o risco de matar - e lesão corporal gravíssima, por ter ferido também o amigo Marcus Vinicius Machado Rocha, que estava no veículo.

As penas somadas podem chegar a 30 anos de prisão. Ele está em prisão preventiva desde 6 de maio, e a Justiça já negou cinco pedidos de liberdade. Segundo o Ministério Público, ele havia passado a noite em um bar e em uma casa de pôquer antes do acidente. No primeiro local, o grupo consumiu bebidas alcoólicas, o que pode ter contribuído para a tragédia ocorrida nas ruas da capital paulista.