Turista gaúcha tem audiência de custódia após injúria racial em Salvador
Audiência de custódia de turista por injúria racial em Salvador

Turista gaúcha enfrenta audiência de custódia após acusação de injúria racial em Salvador

A turista gaúcha Gisele Madrid Spencer Cesar, de 50 anos, terá sua audiência de custódia realizada nesta sexta-feira (23), após ser presa em flagrante por injúria racial contra uma comerciante em Salvador. O incidente ocorreu na quarta-feira (21), durante um evento gratuito no Pelourinho, no Centro Histórico da capital baiana.

Detalhes do caso e comportamento da acusada

Conforme relatos da vítima, identificada apenas como Hanna, Gisele a chamou de "lixo" e, olhando diretamente em seus olhos, afirmou: "eu sou branca". A situação escalou quando a turista cuspiu na comerciante, que trabalhava na Praça das Artes Mestre Neguinho do Samba. Testemunhas indicam que a suspeita já havia causado problemas com outras pessoas no local, levando a intervenção de seguranças.

Após a prisão, Gisele foi encaminhada à Delegacia Especializada de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa (Decrin). Lá, segundo a polícia, ela manteve a conduta discriminatória, solicitando ser atendida exclusivamente por um delegado de pele branca. A turista segue custodiada à disposição da Justiça, aguardando a decisão judicial sobre sua prisão temporária.

Repercussões e críticas ao atendimento policial

A vítima Hanna criticou o atendimento recebido, relatando que um agente policial sugeriu que ambas fossem para a delegacia na mesma viatura. Ela se recusou, argumentando que, "se fosse o contrário, eu estaria no porta-malas e ainda sairia algemada". Hanna também destacou que a segurança do evento inicialmente não pretendia levar a turista à delegacia, o que demonstra a complexidade do caso.

O g1 Bahia não conseguiu contato com a defesa de Gisele até a última atualização desta reportagem. A relação entre a suspeita e a vítima se limitou ao encontro casual na festa, sem interações anteriores registradas.

Penalidades previstas para injúria racial

Com a equiparação do crime de injúria racial ao racismo, as penalidades se tornaram mais severas. A legislação prevê pena de dois a cinco anos de prisão, sendo o crime considerado inafiançável e imprescritível. Este caso reforça a importância de combater atos discriminatórios, especialmente em um local histórico como o Pelourinho, símbolo da resistência cultural afro-brasileira.

A audiência de custódia será crucial para determinar se Gisele permanecerá presa temporariamente, enquanto as investigações prosseguem na Decrin, a primeira delegacia especializada em racismo e intolerância religiosa da Bahia.