Mais de 50 armas desaparecem de cofre em delegacia de Itapecerica da Serra
Armas somem de cofre em delegacia da Grande São Paulo

Mais de 50 armas desaparecem misteriosamente de cofre em delegacia da Grande São Paulo

Um caso grave envolvendo o desaparecimento de armas de fogo está sendo investigado na Delegacia de Itapecerica da Serra, na Grande São Paulo. Segundo registros internos confirmados pelo g1 e pela GloboNews, ao menos 52 pistolas e revólveres simplesmente sumiram do cofre do local, onde aguardavam perícias obrigatórias.

Armamento apreendido entre criminosos e policiais

As armas desaparecidas foram apreendidas entre os anos de 2011 e 2021 e estavam vinculadas tanto a criminosos quanto a policiais envolvidos em ocorrências diversas. Até o momento da última atualização desta reportagem, nenhuma das armas havia sido localizada ou recuperada pelas autoridades.

O secretário da Segurança Pública, Osvaldo Nico Gonçalves, confirmou que a Corregedoria da Polícia Civil já foi acionada para investigar o sumiço e determinar como esse fato ocorreu. "A Corregedoria da Polícia Civil já foi acionada para investigar o sumiço das armas e como isso aconteceu", afirmou o secretário.

Investigações em andamento com sigilo

De acordo com nota oficial da Secretaria da Segurança Pública (SSP), a Corregedoria abriu um inquérito policial e um procedimento administrativo preliminar para apurar todos os fatos relacionados ao caso. Foram solicitadas:

  • Perícia técnica especializada
  • Análise detalhada de livros obrigatórios
  • Oitivas de policiais envolvidos

A pasta da Segurança informou que "as investigações seguem sob sigilo para identificar os responsáveis" pelo desaparecimento do armamento e localizar todo o material desaparecido.

Número de armas pode ser maior

O caso veio à tona após a própria delegacia registrar um boletim de ocorrência relatando o desaparecimento. Embora o documento oficial cite 52 armas, o secretário Nico Gonçalves afirmou que esse número ainda é preliminar. "O BO informa esse número, mas ainda não temos o número exato", explicou ele, acrescentando que aguarda um levantamento completo para saber o total de armas sob custódia e o que ainda resta no cofre.

A delegacia está realizando um inventário interno para rastrear o destino das armas desaparecidas. "Está sendo feita uma auditoria interna também na delegacia. O relatório ainda não ficou pronto", completou o secretário.

Armas em perfeito estado de uso

A Corregedoria agora investiga se houve negligência nas vistorias regulares e por que a falta do armamento não foi detectada anteriormente. Entre os itens desaparecidos, há pistolas e revólveres em perfeitas condições de uso, incluindo:

  1. Calibre .38, frequentemente empregado por criminosos
  2. Calibre .40, padrão utilizado por policiais em serviço

Suspeita de desvio para o crime organizado

Fontes da segurança pública classificam o caso como "gravíssimo", e investigadores trabalham com a hipótese de que parte do arsenal possa ter sido desviada para o crime organizado. Um episódio específico levantou suspeitas no ano passado, quando policiais apreenderam uma pistola usada em um crime recente.

Ao consultar os registros, descobriram que a mesma arma já havia sido apreendida em 2017 e deveria estar guardada no cofre da delegacia. A arma não estava no local, levantando a suspeita de que o armamento tenha sido retirado e devolvido a criminosos.

Acesso restrito e policiais sendo ouvidos

O acesso ao cofre é rigorosamente restrito: somente policiais da própria delegacia podem entrar no local. Por esse motivo, mais de 20 agentes que poderiam ter tido contato com o armamento estão sendo ouvidos pela Corregedoria. Alguns desses policiais já prestaram depoimento durante o último fim de semana.

As armas desaparecidas estavam armazenadas no cofre porque ainda passariam por perícia da Polícia Técnico-Científica, incluindo testes balísticos essenciais para compor provas em inquéritos que envolvem tanto suspeitos quanto armas utilizadas por policiais em ocorrências.

Caso semelhante ocorreu em 2014

Este não é o primeiro caso do tipo a expor falhas graves na custódia de armamentos dentro da Polícia Civil. Em 2014, um investigador do Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos (Garra) foi preso em flagrante por desviar 90 armas da própria sede do grupo de elite em São Paulo.

Naquela ocasião, a Corregedoria da Polícia Civil também não conseguiu determinar se o arsenal havia sido repassado ao crime organizado. A suspeita era de que o desvio vinha ocorrendo desde uma correição realizada naquele mesmo ano, demonstrando vulnerabilidades persistentes no sistema de custódia de armas apreendidas.