Advogada argentina muda estratégia e admite erro em caso de injúria racial no Rio
Argentina admite erro em caso de injúria racial no Rio

Advogada argentina altera defesa e reconhece culpa em caso de injúria racial no Rio

A advogada argentina Agostina Páez, de 29 anos, ré sob acusação de injúria racial no Rio de Janeiro, mudou radicalmente sua estratégia de defesa e agora admite publicamente o erro que cometeu. A informação foi divulgada pelo jornal argentino La Nacion, que obteve declarações exclusivas da acusada.

"Cometi um erro, mas aprendi com ele", afirmou Agostina ao veículo de comunicação. "Reagi de forma errada, deixando a raiva me dominar, e estou pagando o preço. Peço desculpas a todos que possam ter se sentido ofendidos", completou a mulher, demonstrando um tom de arrependimento que contrasta com suas posições anteriores.

Mudança de postura e nova estratégia defensiva

Agostina Páez alterou completamente sua posição nesta terça-feira (10), após um longo período sem se pronunciar sobre o caso. Anteriormente, ela sustentava que não sabia que o gesto era considerado crime no Brasil e negava qualquer intenção discriminatória. "Esta foi e continua sendo uma experiência de aprendizado muito difícil, mas importante, em minha vida, e espero que sirva de exemplo para os argentinos", declarou.

A mudança na abordagem defensiva ocorreu após a contratação de uma nova advogada, a brasileira Carla Junqueira. De acordo com a imprensa argentina, a ré rompeu com o advogado anterior, Ezequiel Roitman, devido a supostas divergências sobre a condução do caso. Nesta semana, Agostina teria realizado uma reunião de duas horas no Rio de Janeiro com Junqueira, em um apartamento afastado da zona turística onde permanece em prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica.

Para a nova defensora, é fundamental admitir a prática do crime. "Vou mudar completamente a estratégia. Vou parar de focar no mérito da causa. Não vamos mais discutir se ela fez ou não. Ela fez, cometeu um erro e cometeu um crime", explicou Junqueira em entrevista ao La Nacion.

Humanização da acusada e busca por retorno à Argentina

A tática defensiva adotada busca humanizar a acusada, destacando as consequências pessoais que ela vem enfrentando. "Ela está pagando um preço muito alto. Está acamada e passando por terapia constante", afirmou a advogada, acrescentando que Agostina perdeu seus empregos e contratos como influenciadora digital após a divulgação do caso.

Um dos principais objetivos da defesa é garantir o retorno da cliente à Argentina. Segundo Junqueira, a estratégia envolve solicitar que o consulado argentino no Rio de Janeiro se comprometa com o sistema judiciário brasileiro para assegurar a aplicação da lei do Brasil em seu país de origem. "O juiz precisa ter a garantia de que não haverá impunidade", argumentou a advogada.

Contexto do caso e detalhes do episódio

Agostina Páez foi flagrada praticando ofensas racistas na saída de um bar no Rio de Janeiro. O episódio ocorreu no dia 14 de janeiro, mas ela só prestou depoimento três dias depois, quando teve seu documento apreendido. A vítima, um funcionário do estabelecimento que não teve a identidade revelada, registrou boletim de ocorrência na quarta-feira (14).

De acordo com as investigações policiais, a argentina teria apontado o dedo e proferido ofensas de cunho racial ao chamar o homem de "negro" de forma pejorativa e discriminatória. A confusão teria começado após Agostina alegar um suposto erro no pagamento de uma conta. Enquanto aguardava a conferência das imagens das câmeras de segurança, ela iniciou os xingamentos e ofensas.

Parte do incidente foi registrada em vídeo, mostrando a argentina imitando gestos de macaco e reproduzindo sons do animal para a vítima. Ela também proferiu a palavra "mono", expressão em espanhol utilizada de forma racista. Agostina estava acompanhada por duas amigas, que não são investigadas no caso.

Diferenças entre racismo e injúria racial

O caso envolve a acusação de injúria racial, que difere do crime de racismo conforme a legislação brasileira:

  • Lei de Racismo (1989): Engloba crimes resultantes de discriminação ou preconceito contra coletivos por raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional. É crime inafiançável com pena de 1 a 5 anos de prisão.
  • Injúria Racial: Consiste na utilização de elementos referentes a raça, cor, etnia, religião ou origem para atacar a dignidade de alguém de forma individual, como xingar uma pessoa com termos pejorativos relacionados à sua raça.

A argentina também relatou ter recebido ameaças. "Há muita crueldade, eles querem me matar. Gostaria de contar tudo, mas não posso", afirmou ao canal argentino Todo Noticias no sábado, sem especificar detalhes ou nomes.