Anestesista espanhol que contaminou 275 pessoas com hepatite C morre aos 84 anos
Anestesista que contaminou 275 com hepatite C morre aos 84 anos

Anestesista espanhol responsável por contaminação em massa de hepatite C falece aos 84 anos

O médico anestesista espanhol Juan Maeso, que ficou tristemente conhecido por contaminar 275 pessoas com hepatite C entre os anos de 1988 e 1998 em hospitais de Valência, na Espanha, morreu nesta terça-feira, 31 de março, aos 84 anos de idade. Ele havia sido condenado a uma sentença histórica de 1.933 anos de prisão pelo contágio em massa, mas deixou a cadeia em 2023 após obter liberdade condicional devido ao seu estado de saúde extremamente debilitado, conforme reportou o jornal El Mundo.

O caso que chocou a Espanha e o mundo

O escândalo veio à tona em 1998, quando autoridades de saúde identificaram um número alarmante e incomum de infecções por hepatite C em quatro hospitais da cidade de Valência, sendo um público e três privados. As investigações minuciosas apontaram que o foco do surto era o próprio anestesista Juan Maeso, que também era portador do vírus da hepatite C. O julgamento, que começou em 2005, foi considerado um dos maiores e mais complexos já realizados no país, pela dimensão e gravidade dos fatos.

Pela imensa proporção do caso, foi necessário montar uma estrutura especial para acomodar todos os envolvidos: 153 advogados, 114 promotores e cerca de 600 testemunhas, entre pacientes, médicos e diretores hospitalares. Durante o longo processo judicial, que durou 17 meses, ficou comprovado que Maeso aplicava em si mesmo parte das substâncias anestésicas que seriam usadas nos pacientes, utilizando exatamente a mesma agulha, o que levou à transmissão do vírus.

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Linha do tempo da tragédia e condenação histórica

O primeiro caso de contaminação atribuído ao médico ocorreu em 15 de dezembro de 1988, em uma menina de apenas cinco anos de idade. O último caso foi registrado em 27 de janeiro de 1998, em uma paciente de 51 anos que estava internada após sofrer uma fratura no quadril. Após o julgamento, em 2007, Juan Maeso foi condenado a 1.933 anos de prisão e ao pagamento de mais de 20 milhões de euros em indenizações às vítimas e suas famílias. A sentença foi confirmada dois anos depois, em 2009, mantendo a punição exemplar.

Ele permaneceu preso até 2023, quando finalmente foi libertado por motivos de saúde, já que seu quadro clínico se agravou significativamente nos últimos meses. A confirmação de sua morte ocorreu nesta terça-feira, encerrando um capítulo sombrio na história da medicina espanhola. O caso serve como um alerta permanente sobre os riscos de negligência e as consequências devastadoras de práticas médicas inadequadas.

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