Uma inspeção na Penitenciária de Segurança Máxima Dr. Romeu Gonçalves de Abrantes, conhecida como PB1 e PB2, na Paraíba, revelou uma tentativa de fraude envolvendo alvarás de soltura falsos. Sete integrantes de facções criminosas tentaram se beneficiar dos documentos forjados para deixar a unidade prisional. De acordo com informações divulgadas nesta terça-feira (19), alguns dos detentos chegaram a ser chamados para assinar a soltura, mas a ação foi impedida pela desconfiança de policiais penais.
Fraude descoberta
Durante o processo, a direção da penitenciária consultou a juíza Andreia Arco Verde e o juiz Carlos Neves, ambos da Vara de Execuções Penais, cujos nomes constavam nos documentos de soltura. Os magistrados confirmaram que os alvarás eram falsos. A investigação inicial aponta que os documentos foram recebidos por meio do Malote Digital do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o que levantou suspeitas sobre o uso indevido de credenciais de servidores federais.
Presos envolvidos
Entre os detentos que seriam beneficiados estão líderes e membros de alto escalão de facções como Comando Vermelho, Nova Okaida e Bonde do Cangaço. Clodoberto da Silva, o "Betinho", é apontado como braço direito de Diego dos Santos, o "Baiola", e tem condenação de 27 anos, 5 meses e 28 dias. Diego Alexandro dos Santos, o "Baiola", é membro do conselho do Comando Vermelho na Paraíba, com pena de 19 anos. João Batista da Silva, o "Junior Pitoco", integra a alta cúpula da Nova Okaida e é conselheiro do Comando Vermelho, com 8 anos de reclusão.
Célio Luis Marinho, o "Célio Guará", é o número dois do Bonde do Cangaço e foi condenado a 19 anos. Vinícius Barbosa de Lima, o "Vini", é do Comando Vermelho do Rio Grande do Norte e veio à Paraíba para receber apoio, com pena de 12 anos, 9 meses e 12 dias. Francinaldo Barbosa, o "Vaqueirinho", é considerado o atual presidente da Nova Okaida, com 27 anos de prisão. Samuel Mariano da Silva, o "Samuca", chefe e fundador do Bonde do Cangaço, tem a maior pena: 36 anos e 6 meses.
Reincidência de fraudes
O secretário de administração penitenciária da Paraíba, Tércio Chaves, informou que, desde dezembro do ano passado, foram registradas 13 tentativas de fuga por fraude documental, algumas com uso de Inteligência Artificial. "O nível de sofisticação impressiona, com documentos muito similares aos originais, o que sugere o uso de ferramentas de IA", afirmou.
Investigação em andamento
A Secretaria de Administração Penitenciária (Seap-PB) abriu procedimento interno para apurar a responsabilidade dos presos. Caso comprovada, a fraude pode impactar o cumprimento das penas. Os documentos foram encaminhados à Polícia Civil para investigação criminal. O Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB) confirmou que nenhuma soltura ocorreu e determinou a instauração de inquérito policial. A juíza Andrea Arcoverde classificou os alvarás como "documentos falsos elaborados para fraudar a Justiça". O CNJ ainda não se pronunciou.



