Aline se pronuncia em júri por tentativa de homicídio: 'Estou sendo julgada por ter sobrevivido'
Aline Fernanda de Siqueira Maschietto, acusada de tentar matar o então namorado Diego Lima Thierbach, estudante de medicina, se pronunciou publicamente pela primeira vez nesta quinta-feira (16) diante do Fórum de Ribeirão Preto. Em declaração à EPTV, afiliada da TV Globo, a ré afirmou categoricamente que não tinha intenção de cometer o crime e que agiu exclusivamente para se defender durante uma briga ocorrida em 2022. 'Estou sendo julgada por ter sobrevivido, porque me defendi. Jamais quis matar o Diego, apenas me defendi', declarou Aline, emocionada, na porta do tribunal.
O início do julgamento e a versão da defesa
O júri popular, composto majoritariamente por mulheres e dois homens, teve início por volta das 10h, com a primeira oitiva sendo a da vítima, Diego Lima Thierbach. Segundo a denúncia do Ministério Público, Aline esfaqueou o jovem durante uma discussão motivada por ciúmes em um flat na zona Leste de Ribeirão Preto, sem que ele tivesse oportunidade de se defender. A advogada de defesa, Tamara Maria Bessa de Castro, apresentou uma narrativa completamente diferente, alegando que Aline é inocente e foi vítima de violência doméstica.
'A acusação diz que a suposta vítima, um homem de 1,90 metro, de porte atlético, atleta da universidade de medicina que ele cursava à época, não conseguiu se defender de uma mulher de 1,50 metro com 40 e poucos quilos', argumentou a defensora. 'Aline foi presa, teve sua vida devastada, e será demonstrado na sessão plenária que ocorrerá aqui em Ribeirão Preto, que Aline foi vítima de violência doméstica, que Aline, sim, sofreu tentativa de feminicídio, que ela se defendeu e que bom que ela se defendeu', completou Tamara.
Detalhes do caso e o contexto internacional
O caso remonta a março de 2022, quando Aline e Diego, que se conheceram através de um aplicativo de relacionamentos em 2021, se reencontraram no flat dela na Avenida Presidente Kennedy após ela retornar de uma temporada de quatro meses no México. Segundo a promotoria, na tarde seguinte ao encontro, o estudante convidou uma garota de programa para se juntar ao casal, o que teria desencadeado uma briga por ciúmes após a saída da profissional.
A denúncia detalha que Aline agrediu fisicamente Diego com chutes e socos, tentando em seguida golpeá-lo com facas de cozinha. O laudo do Instituto Médico Legal atestou cortes nos braços da vítima, que conseguiu escapar parcialmente antes de ser esfaqueado nas costas e ombros. Um funcionário do flat relatou à Polícia Civil que ouviu gritos e, ao arrombar a porta, encontrou Diego segurando Aline pelos braços em tentativa de defesa, com duas facas ensanguentadas no chão.
Diego foi hospitalizado, submetido a cirurgia, e permaneceu dez dias internados, sendo cinco na UTI, com risco de morte e deformidade estética permanente devido a uma infecção. Aline, que chegou a ser presa em 2023 após extradição da Espanha – onde morou durante as investigações e se envolveu em outro caso judicial ao acusar de estupro o filho do presidente do principal órgão de Justiça espanhol (queixa posteriormente retirada) –, obteve no fim de 2024 o direito de responder ao processo em liberdade no Brasil mediante medidas cautelares.
No processo consta a foto de um celular de Aline que teria sido atirado no chão pelo namorado, elemento que a defesa utiliza para sustentar a tese de agressão prévia. O julgamento segue em andamento no Fórum de Ribeirão Preto, com expectativa de mais testemunhas e perícias serem apresentadas nas próximas sessões.



