Agricultor do Acre enfrentará júri popular por morte do irmão a facadas
O agricultor Diérico Souza de Macedo, de 39 anos, terá seu destino decidido pelo Tribunal do Júri após a rejeição da tese de legítima defesa pelo Tribunal de Justiça do Acre (TJ-AC). Ele é acusado de matar o próprio irmão, Milton Souza de Macedo, a facadas na zona rural de Capixaba, interior do estado, em março do ano passado.
Decisão judicial e detalhes do crime
A defesa de Diérico pediu a absolvição do acusado, alegando que ele agiu para se proteger durante uma discussão familiar. Além disso, solicitou a retirada de circunstâncias que poderiam aumentar a pena. No entanto, o desembargador Francisco Djalma negou o pedido durante uma sessão virtual realizada no dia 14 de janeiro deste ano, quando a Câmara Criminal analisou um recurso apresentado pela defesa.
Com essa decisão, o réu será submetido a julgamento pelo Tribunal do Júri, embora ainda não haja data definida para a sessão. O g1 não conseguiu estabelecer contato com a defesa do acusado para obter mais esclarecimentos sobre o caso.
Contexto e investigações do homicídio
O homicídio ocorreu na noite do dia 3 de março de 2025, no Ramal da Elza, zona rural de Capixaba. De acordo com as investigações, Diérico estava consumindo bebida alcoólica na casa de seu irmão Milton, acompanhado por um vizinho. O magistrado destacou que há provas da materialidade do crime e indícios suficientes de que Diérico tenha cometido o homicídio qualificado.
As investigações apontam que o crime foi motivado por uma discussão familiar anterior, considerada um motivo fútil, e foi executado com recurso que dificultou a defesa da vítima. Milton teria sido atacado de surpresa, enquanto estava sob efeito de álcool e em situação de vulnerabilidade.
Versões contraditórias e depoimentos
A polícia colheu depoimentos que indicaram uma discussão entre os irmãos, que evoluiu para agressões físicas. Testemunhas relataram que os desentendimentos entre eles eram recorrentes e sempre se intensificavam quando havia consumo de álcool.
Inicialmente, Diérico afirmou que havia saído da residência para verificar uma malhadeira em um açude da propriedade e, ao retornar, encontrou o irmão ferido. No entanto, essa versão foi questionada à medida que as investigações avançaram. As apurações indicaram que Milton teria ido dormir e que, horas depois, Diérico retornou ao local e atingiu o irmão com dez golpes de faca. O corpo de Milton foi encontrado em rigidez cadavérica.
Confissão e elementos da defesa
Durante um interrogatório, Diérico admitiu ter esfaqueado o irmão, mas alegou legítima defesa, afirmando que Milton estaria armado no momento das agressões. A Polícia Civil, porém, destacou que não foram encontrados elementos no local que comprovassem essa versão. Perícias também não identificaram vestígios que indicassem reação da vítima.
As autoridades estranharam o fato de Diérico não ter comparecido à delegacia quando intimado, não ter participado do velório do irmão e ter deixado a região após o crime. O vizinho que bebia com os irmãos declarou em depoimento que estava sob efeito de álcool, dormiu no local do crime e não escutou ou presenciou o momento em que Diérico esfaqueou Milton.
Próximos passos do processo
Conforme a última atualização do processo, o Tribunal do Júri decidirá se Diérico será condenado ou absolvido pelas acusações de homicídio qualificado. O caso continua sob análise, aguardando a definição da data para o julgamento, que promete trazer à tona mais detalhes sobre esse trágico episódio familiar no interior do Acre.