Pais denunciam agressão a jovem com transtorno mental durante atendimento em UPA de Rio Branco
Os pais do jovem Francimar Alves formalizaram uma grave denúncia contra um médico da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Franco Silva, localizada no bairro Sobral, em Rio Branco, no Acre. Segundo o relato familiar, o filho, que possui transtornos mentais decorrentes de um traumatismo craniano sofrido em julho do ano passado, teria sido violentamente agredido por um médico plantonista no último domingo (5), durante uma crise de convulsão.
Versão da família: agressão durante crise de saúde
Conforme Jomar Alves, pai do paciente, Francimar foi levado à unidade de saúde após apresentar uma crise convulsiva. Após um período de espera, o jovem teria sido submetido a uma suposta agressão física pelo profissional médico. "Segundo a mãe dele, quando ele acordou, o médico tentou deitá-lo na cama bruscamente e ele o empurrou. O médico deu um soco na boca do menino. Está com os dentes quebrados, nariz quebrado, a boca toda cortada", descreveu o pai, visivelmente abalado.
Jomar Alves ressaltou que sempre informou à equipe médica sobre a condição psiquiátrica do filho. "Todas as vezes que chegamos com ele aqui, eu avisei que ele tem problema psiquiátrico, que não responde por ele. Expliquei tudinho na entrada. Todos os médicos que receberam ele, eu expliquei", afirmou. A família registrou um boletim de ocorrência e expressou profunda preocupação com o estado de saúde do jovem.
Versão do médico: legítima defesa durante contenção
O médico envolvido no caso, que preferiu não se identificar por medo de represálias, concedeu entrevista à reportagem e apresentou uma versão completamente diferente dos fatos. Segundo o profissional, ele foi vítima de agressão física por parte do paciente antes de qualquer intervenção.
"Quando eu pensei, ele já estava em cima de mim e me deu um soco. Eu o segurei com as duas mãos e coloquei em cima da maca onde ele estava deitado. O meu braço pegou nele na hora da contenção, precisei usar a força para contê-lo porque tinham outras pessoas na enfermaria", explicou o médico. Ele acrescentou que o paciente já apresentava comportamento agressivo desde sua admissão na unidade, agredindo e maltratando pessoas na recepção.
O profissional de saúde também registrou um boletim de ocorrência, afirmando: "Quem interviu foi eu, quem chamou para ir na delegacia de apoio para o depoimento foi eu, porque isso não pode acontecer, eu estava em trabalho, eu não posso ser agredido no meu local de trabalho e ser como vilão disso, porque eu sou vítima".
Posicionamento oficial da Secretaria de Saúde do Acre
A Secretaria de Estado de Saúde do Acre emitiu uma nota oficial informando que tomou conhecimento da situação e está apurando todos os fatos com responsabilidade e transparência. De acordo com relatos preliminares da equipe de plantão, o paciente deu entrada na unidade em quadro de agitação intensa, apresentando comportamento agressivo inclusive contra familiares.
"Durante a tentativa de avaliação, o profissional médico também teria sido alvo de agressões físicas. Diante do cenário, foram adotadas medidas de contenção, conforme protocolos assistenciais, com o objetivo de preservar a integridade física do próprio paciente, de seus acompanhantes e da equipe de saúde", informou a secretaria.
A gestão estadual ressaltou que o paciente recebeu atendimento imediato após o ocorrido e continua sendo acompanhado pela equipe de saúde. "Reafirmamos o compromisso com um atendimento humanizado, seguro e ético, tanto para os pacientes quanto para os profissionais de saúde", finalizou a nota.
Contexto do paciente e desfecho do caso
Francimar Alves sofreu um grave acidente em julho do ano passado que resultou em traumatismo craniano. Desde então, convive com crises de convulsão que exigem atendimento médico especializado. A direção da UPA Franco Silva informou que o paciente recebeu o atendimento necessário no local e foi solicitada sua transferência para o Pronto Socorro de Rio Branco para receber cuidados mais específicos.
O caso expõe as complexidades e desafios do atendimento a pacientes com transtornos mentais no sistema público de saúde, especialmente em situações de crise onde tanto profissionais quanto pacientes podem se encontrar em situações de vulnerabilidade. As investigações continuam em andamento, com a promessa de apuração rigorosa por parte das autoridades competentes.



