Agiota é preso em Franca após agredir mulher por dívida de R$ 1 mil; cúmplice é foragido
Agiota preso em Franca por agredir mulher por dívida de R$ 1 mil

Agiota é preso em Franca após agredir mulher por dívida de R$ 1 mil

A Polícia Civil realizou na manhã desta quarta-feira (18) a prisão de um agiota suspeito de agredir uma mulher em frente à casa dela, localizada em Franca, no interior de São Paulo. O crime ocorreu no mês de janeiro deste ano e teve como motivação uma dívida no valor de R$ 1 mil. O caso revela os métodos violentos empregados por organizações criminosas especializadas em agiotagem na região.

Detalhes da prisão e investigação

O indivíduo preso foi identificado como Ronny Hernandes Alves dos Santos, de 40 anos, que está sob investigação por seu envolvimento em uma quadrilha dedicada à prática de extorsão através de empréstimos com juros abusivos. Além dele, Antônio Henrique Mathias também foi alvo de um mandado de prisão expedido pelas autoridades. No entanto, ele não foi localizado durante a operação policial realizada nesta quarta-feira e, atualmente, é considerado foragido pela justiça.

Durante a ação, os agentes apreenderam o veículo utilizado pela dupla no momento das agressões contra a vítima. As investigações contam com o apoio de imagens de câmeras de segurança instaladas na residência da mulher, que registraram todo o episódio ocorrido em 27 de janeiro. Nas gravações, é possível observar Ronny e mais dois homens conversando com a vítima, que explicava não possuir o dinheiro naquele instante. A partir desse momento, as ameaças começaram e, em seguida, evoluíram para agressões físicas.

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Histórico da dívida e violência

De acordo com o depoimento prestado à Polícia Civil, a mulher afirmou que há alguns anos contraiu um empréstimo com o agiota e sempre realizou os pagamentos dentro do prazo estabelecido. Ela relatou que, em 2023, Ronny foi preso durante uma operação conjunta da Polícia Civil e do Ministério Público, que investigava uma quadrilha de agiotagem atuante na região de Franca. Recentemente, ao ser liberado da cadeia, o suspeito enviou uma mensagem para a filha da vítima, cobrando o pagamento restante da dívida, que totalizava R$ 1 mil.

As partes chegaram a um acordo onde a quantia seria quitada em dez parcelas de R$ 100, a serem pagas todo dia 25 de cada mês. No dia 25 de janeiro, a vítima entrou em contato com o agiota para informar que ainda não dispunha do valor combinado. No dia seguinte, Ronny realizou nova cobrança e, como não obteve resposta, dirigiu-se até a residência da mulher no dia 27, onde as agressões foram cometidas.

É importante destacar que Ronny havia sido absolvido durante as investigações anteriores sobre seu envolvimento na quadrilha de agiotagem, mas o processo judicial ainda está em andamento. O Ministério Público recorreu da decisão de absolvição e pode utilizar estas novas agressões como prova adicional no caso.

Operação Castelo de Areia e quadrilha milionária

Este caso está diretamente ligado à Operação Castelo de Areia, que investiga uma extensa organização criminosa dedicada à agiotagem na região de Franca. A primeira fase da operação ocorreu entre novembro de 2023 e janeiro de 2024, resultando na prisão de sete indivíduos suspeitos de movimentar inicialmente R$ 36 milhões. Em dezembro, todos os acusados, incluindo o ex-policial civil Rogério Camillo Requel, foram condenados a 20 anos de prisão. Requel teria recebido, em apenas três meses, aproximadamente R$ 340 mil provenientes do esquema ilegal, conforme denúncia do Ministério Público.

As investigações apontam que o grupo oferecia empréstimos a juros exorbitantes e, posteriormente, cobrava as vítimas por meio de graves ameaças. Os líderes da organização eram pai, filho e sobrinho, que comandavam as operações criminosas. Cópias de conversas obtidas pelo Ministério Público com autorização judicial foram anexadas às denúncias e, de acordo com os promotores, comprovam claramente a violência empregada pela quadrilha para recuperar os valores emprestados.

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Ronny era um dos integrantes do grupo responsável por ameaçar de morte os devedores e pessoas próximas a eles. Conforme informações do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), mesmo após as prisões anteriores, outros membros mantiveram a quadrilha ativa e afirmavam em conversas internas que "nada os intimidaria e, inclusive, jamais seriam punidos". Essa postagem desafiante motivou a deflagração da segunda fase da operação, em junho deste ano, onde as investigações revelaram uma nova movimentação financeira de aproximadamente R$ 31 milhões.

O caso continua sob acompanhamento das autoridades, que buscam capturar o foragido Antônio Henrique Mathias e aprofundar as investigações sobre a extensão das atividades desta perigosa organização criminosa.