OAB denuncia agressão e algemamento de advogado por policiais em delegacia do DF
Advogado agredido e algemado por policiais em delegacia do DF

OAB denuncia violência policial contra advogado em delegacia do Distrito Federal

A Ordem dos Advogados do Distrito Federal (OAB-DF) apresentou uma denúncia formal sobre um caso de violência policial ocorrido na noite de segunda-feira (2). Segundo a entidade, o advogado Cláudio Martins Lourenço foi agredido e algemado por agentes da Polícia Civil dentro da 26ª Delegacia de Polícia de Samambaia, situada na região administrativa do Distrito Federal.

Reunião emergencial com autoridades estaduais

Diante da gravidade das acusações, a OAB-DF realizou uma reunião de emergência nesta terça-feira (3) com o governador Ibaneis Rocha e o procurador-geral de Justiça, Georges Seigneur. O encontro também contou com a presença de outras autoridades competentes para discutir medidas imediatas sobre o ocorrido.

Como resultado direto da reunião, o governador Ibaneis Rocha determinou que a Corregedoria-Geral da Polícia Civil inicie uma investigação completa e detalhada sobre o caso. A medida busca apurar responsabilidades e garantir que procedimentos adequados sejam seguidos pelas forças de segurança.

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Versões conflitantes sobre os acontecimentos

De acordo com a versão apresentada pela OAB-DF, o advogado Cláudio Martins Lourenço compareceu à delegacia para atender um cliente que estava detido. O cliente havia relatado ter sofrido agressões físicas dentro das dependências da unidade policial. Durante sua atuação profissional, o defensor também teria sido vítima de violência por parte dos policiais.

A Polícia Civil, por sua vez, apresentou uma narrativa diferente dos fatos. Segundo a corporação, durante a contenção de um preso com gás de pimenta, o delegado plantonista ordenou a evacuação completa do interior da delegacia por questões de segurança. O advogado teria desobedecido reiteradamente à ordem legal, recusando-se a abandonar o recinto.

A polícia afirmou ainda que, após ser retirado da delegacia para evitar sua intoxicação, o advogado recusou-se veementemente a fornecer seus dados de identificação. Diante da desobediência persistente, os agentes emitiram voz de prisão. A corporação destacou que, no momento da ordem de retirada, dois presos por tráfico de drogas estavam no saguão da delegacia, o que teria agravado o estado de periculosidade da situação.

Registro em vídeo e diálogo revelador

O incidente foi registrado em vídeo por testemunhas presentes no local, capturando momentos cruciais da interação entre o advogado e os policiais. No material audiovisual, é possível ouvir parte do diálogo tenso que precedeu a detenção.

No vídeo, um policial ordena repetidamente: "eu estou falando pra você sair daqui", ao que o advogado responde: "eu não estou entendendo, cheguei agora". O agente então explica: "nós vamos fazer uso de gás, o senhor dá licença daqui", seguido pela réplica do advogado: "o senhor fala direito comigo".

O policial insiste: "eu já falei três vezes... Não quero saber cara, vaza. Filma aí", com o advogado confirmando: "estou filmando mesmo". O agente então desafia: "que bom, filma aí. Está filmando a sua desobediência [...] Você quer levar pra frente, a gente leva. Você quer?", ao que o advogado responde afirmativamente.

O momento culmina com os policiais questionando a identificação do advogado e, diante da recusa em fornecer os dados, procedendo à detenção física, agarrando-o pelos braços e conduzindo-o para dentro da delegacia, onde o advogado exclama: "olha, estou sendo preso aqui".

Posicionamento formal das instituições envolvidas

A OAB-DF emitiu um comunicado oficial afirmando que "o advogado Cláudio Martins Lourenço foi agredido, algemado e preso na 26ª Delegacia de Polícia Civil de Samambaia" quando estava do lado de fora da unidade. A entidade destacou que o profissional estava exercendo suas funções legítimas ao atender um cliente detido.

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A Ordem ressaltou ainda que o caso está sendo apurado diretamente pela presidência da OAB/DF e por sua diretoria de Prerrogativas, com a promessa de que "serão adotadas todas as medidas cabíveis junto a autoridades competentes". A entidade classificou o ocorrido como potencial "grave abuso de autoridade" e agressão a advogado no exercício da profissão, prometendo repúdio formal às ações.

Já a Polícia Civil manteve sua versão de que a atitude do advogado configurou desobediência reiterada a ordem legal, justificando que "devido ao seu ânimo exaltado, foi necessário o uso progressivo de algemas". A corporação informou que a comissão de prerrogativas da OAB foi acionada, compareceu ao local e acompanhou a lavratura do procedimento policial.

Implicações legais e próximos passos

O caso levanta questões importantes sobre:

  • O exercício das prerrogativas profissionais dos advogados
  • Os limites da atuação policial durante situações de contenção
  • Os protocolos de segurança em delegacias
  • A relação entre defensores e agentes de segurança pública

A investigação determinada pelo governador Ibaneis Rocha deverá analisar minuciosamente as circunstâncias do ocorrido, incluindo a revisão do vídeo registrado por testemunhas e a coleta de depoimentos de todas as partes envolvidas. O resultado poderá ter implicações significativas para os procedimentos operacionais da Polícia Civil do Distrito Federal.