O Tribunal do Júri de Paraty, no Rio de Janeiro, absolveu um pai e seu filho acusados do assassinato do artista plástico francês Cedric Alexandre Vacherie Jaurgoyhen, ocorrido em 2018. A decisão foi tomada na última quarta-feira (25), após os jurados considerarem que não havia evidências suficientes para condenar os réus pelo crime violento.
Detalhes do crime que chocou a região
O artista francês, que residia em um sítio na Estrada da Colônia, na Barra Grande, uma localidade afastada do Centro de Paraty, foi encontrado morto com um tiro de espingarda na cabeça. Além do homicídio, a residência da vítima estava completamente queimada, indicando uma possível tentativa de ocultar evidências do crime.
Motivações apontadas pelo Ministério Público
Segundo a denúncia do Ministério Público, existiam duas motivações principais para o crime. A primeira era uma dívida em dinheiro que o artista devia a um dos suspeitos por serviços prestados em seu sítio. A segunda motivação envolvia uma discordância sobre a alteração do local de uma passagem que daria acesso ao terreno da propriedade da família dos acusados.
O caso da testemunha supostamente ameaçada
As investigações revelaram que, entre 2018 e 2019, uma testemunha que havia prestado depoimento no Inquérito Policial com sua identidade sob sigilo teria sido supostamente ameaçada pelos suspeitos. Pai e filho aparentemente obtiveram, por meio desconhecido, uma cópia do depoimento e da identidade da testemunha, pressionando-a para que fizesse um novo depoimento.
O desfecho no Tribunal do Júri
Durante a sessão do júri popular, os jurados responderam aos quesitos apresentados para votação. Curiosamente, a própria testemunha que havia sido supostamente ameaçada declarou, durante o julgamento, que não fora vítima de ameaças praticadas por pai e filho. Essa declaração foi fundamental para o desfecho do processo.
Com base na votação do júri, o juiz responsável pelo caso absolveu os réus tanto pelo crime de assassinato quanto pela acusação de ameaça à testemunha. A decisão foi fundamentada na falta de evidências concretas que comprovassem a participação dos acusados no homicídio e na negação da testemunha sobre ter sofrido ameaças.
Consequências jurídicas imediatas
Como resultado da absolvição, foi expedido um alvará de soltura para o filho, que estava preso desde 2024. Já o pai, que havia sido preso preventivamente em 2019 e aguardava o julgamento em liberdade, teve todas as medidas cautelares que pesavam sobre ele revogadas. Ambos recuperaram plenamente sua liberdade após o veredicto do júri popular.
O caso, que mobilizou a polícia e a justiça de Paraty por mais de cinco anos, chegou ao seu desfecho com a absolvição dos dois principais suspeitos. A morte violenta do artista francês, que vivia recluso em seu sítio na região, continua sem respostas definitivas sobre os verdadeiros responsáveis.



