Visita de namorada levou polícia ao esconderijo de 'El Mencho', diz governo mexicano
As forças de segurança do México conseguiram localizar o paradeiro do líder do Cartel Jalisco Nueva Generación (CJNG), Nemesio Oseguera Cervantes, conhecido como El Mencho, após monitorar os movimentos de uma de suas parceiras românticas. De acordo com relato oficial apresentado nesta segunda-feira (23), a inteligência mexicana seguiu um homem próximo à mulher, que a levou até uma cabana na região montanhosa de Tapalpa, estado de Jalisco, reduto histórico da organização criminosa.
Operação resultou em confronto intenso e morte do traficante
A partir da localização obtida, forças especiais planejaram a captura do narcotraficante, considerado por anos o criminoso mais procurado do país. A operação, iniciada no domingo (22), terminou com intenso confronto armado. O governo afirmou que El Mencho foi gravemente ferido em troca de tiros e morreu enquanto era transportado de helicóptero para atendimento médico em Guadalajara. Dois de seus seguranças também perderam a vida durante a ação.
Segundo o secretário da Defesa, general Ricardo Trevilla Trejo, os agentes foram recebidos a tiros por homens fortemente armados, que portavam fuzis e lançadores de foguetes. O Exército afirmou ter apreendido sete armas longas e dois lança-foguetes durante o confronto. Um helicóptero militar foi atingido e precisou fazer pouso de emergência na região.
Violência se espalha por 20 estados mexicanos
No rastro da operação, ataques coordenados de grupos criminosos eclodiram em 20 dos 32 estados mexicanos, resultando em uma onda de violência que deixou o país em alerta máximo. Houve bloqueios de rodovias, incêndios de veículos, ataques a forças de segurança e vandalismo contra supermercados e bancos em diversas regiões.
O governo informou que 62 pessoas morreram nos episódios de violência subsequentes, incluindo 25 integrantes da Guarda Nacional. Autoridades também relataram a prisão de 70 suspeitos e a morte de 34 supostos membros de organizações criminosas apenas no domingo. Ao todo, oito suspeitos ligados ao cartel morreram na ação inicial em Tapalpa.
Impacto no turismo e na vida cotidiana
Na capital mexicana e em cidades turísticas como Puerto Vallarta, companhias aéreas e de ônibus suspenderam rotas temporariamente. Moradores e turistas foram orientados a permanecer em casa enquanto colunas de fumaça se espalhavam pelo horizonte de diversas localidades. A presidente Claudia Sheinbaum afirmou que os bloqueios nas estradas começaram a ser desfeitos ainda na segunda-feira, mas reconheceu que a prioridade imediata é "garantir paz e segurança para toda a população".
Cooperação internacional e pressão política
Durante entrevista coletiva, o general Trevilla afirmou que, embora a inteligência tenha sido liderada por autoridades mexicanas, "informações adicionais" fornecidas pelos Estados Unidos ajudaram a precisar a localização do traficante, em cooperação com o Comando Norte americano. O Departamento de Estado dos EUA oferecia recompensa de US$ 15 milhões por informações que levassem à captura de El Mencho.
A operação ocorre em meio à pressão do presidente Donald Trump, que tem ameaçado ampliar ações contra cartéis mexicanos, inclusive com a possibilidade de ataques unilaterais em território do México — hipótese rejeitada categoricamente por autoridades mexicanas. El Mencho fundou o CJNG há cerca de 15 anos, após romper com o Sinaloa Cartel, e consolidou a facção como uma das mais poderosas do hemisfério, com atuação em tráfico de drogas, extorsão, sequestro e contrabando de migrantes.
Impacto político e simbólico da operação
A morte de El Mencho representa a primeira, nos últimos anos, de um chefe de cartel desse porte em operação direta das Forças Armadas mexicanas. Especialistas avaliam que o episódio pode fortalecer o governo Sheinbaum no discurso de combate ao narcotráfico, mas alertam para o risco de fragmentação interna do CJNG e novas disputas violentas por poder dentro da organização criminosa.
Em Tapalpa, destino turístico conhecido por cabanas e trilhas em meio à mata, o prefeito Antonio Morales Díaz disse não saber da presença do traficante na cidade. Nesta segunda-feira, jornais de todo o país estamparam El Mencho nas manchetes, enquanto o governo celebra o que chamou de demonstração da "força do Estado mexicano". O país tenta agora retomar a normalidade após um dos fins de semana mais violentos dos últimos anos.