O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, utilizou sua plataforma na rede Truth Social nesta segunda-feira, 2 de fevereiro, para lançar um ataque direto à cerimônia do Grammy e ameaçar processar o apresentador do evento, o comediante Trevor Noah. A investida ocorre em um momento delicado, quando novos documentos relacionados ao caso do empresário Jeffrey Epstein voltam a trazer à tona uma acusação antiga envolvendo Trump.
Acusação antiga ressurge nos arquivos de Epstein
Entre os milhares de documentos divulgados recentemente pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, um em particular chama a atenção por citar detalhes de uma denúncia antiga contra Donald Trump. O documento, que foi recebido pelo FBI, alega que o então empresário teria cometido estupro contra uma menor de idade em 1994, quando a vítima tinha apenas 13 anos.
A acusação já havia se tornado pública em 2016, durante a campanha presidencial daquele ano, mas foi subitamente retirada pela denunciante, identificada na época pelo pseudônimo Jane Doe. Agora, os arquivos de Epstein trazem novos elementos à luz, reacendendo o debate sobre o caso.
Contexto da relação entre Trump e Epstein
É importante destacar que Jeffrey Epstein e Donald Trump mantiveram uma relação de amizade próxima durante os anos 1990 e início dos anos 2000, frequentando os mesmos círculos sociais e eventos. Segundo a denúncia incluída nos arquivos, a suposta vítima teria ido a Nova York para tentar a carreira de modelo, onde foi cooptada por Epstein e levada a uma festa, local onde o estupro teria ocorrido.
Trump já havia negado veementemente essas acusações no passado, classificando-as como falsas e politicamente motivadas. Até o momento, não há novas declarações oficiais do ex-presidente sobre o reaparecimento dessas alegações nos documentos de Epstein.
Nova leva de documentos e transparência
O vice-procurador-geral dos Estados Unidos, Todd Blanche, anunciou que a nova leva de documentos inclui mais de 2 mil vídeos e 180 mil imagens, contendo grandes quantidades de pornografia comercial. Blanche garantiu que a Casa Branca não participou da revisão dos arquivos e que não houve qualquer tentativa de proteger Donald Trump na divulgação.
A divulgação de hoje marca o fim de um processo muito abrangente de identificação e revisão de documentos para garantir transparência ao povo americano e conformidade com a lei, afirmou o vice-procurador-geral em coletiva de imprensa.
Atrasos na liberação total dos arquivos
O processo de divulgação dos arquivos da investigação sobre Epstein começou em dezembro do ano passado, mas tem enfrentado uma série de atrasos. Inicialmente, o Departamento de Justiça tinha até o dia 19 de janeiro para publicar todos os documentos em sua totalidade, de acordo com a Lei de Transparência dos Arquivos Epstein, sancionada pelo próprio presidente Donald Trump durante seu mandato.
Porém, o prazo não foi respeitado. No dia 23 de janeiro, o governo dos EUA liberou mais de 30 mil documentos, revelando a proximidade de Epstein com diversas figuras políticas e celebridades, incluindo a menção a uma vítima brasileira. Já no dia 24 de dezembro, o departamento comunicou que iria demorar algumas semanas para liberar o restante dos milhares de documentos ainda pendentes.
Em documento judicial apresentado à Justiça no início deste mês, o Departamento de Justiça admitiu que divulgou apenas 1% dos arquivos relacionados ao caso que tinha em seu poder, indicando que muito mais material ainda pode vir à tona nos próximos meses.