Tribunal de Manhattan nega adiamento do julgamento federal de Luigi Mangione
Tribunal nega adiamento de julgamento de acusado de matar CEO

Justiça americana mantém cronograma apertado para acusado de matar executivo de seguradora

O Tribunal Federal de Manhattan recusou, nesta quarta-feira, 1º de abril de 2026, o pedido de adiamento do julgamento federal de Luigi Mangione, réu de 27 anos acusado de assassinar Brian Thompson, CEO da UnitedHealthcare, uma das maiores seguradoras de saúde dos Estados Unidos. A decisão judicial mantém o réu na difícil posição de enfrentar dois processos simultâneos nas esferas federal e estadual, ambos com potencial para condenação à prisão perpétua.

Defesa argumenta sobrecarga processual e violação de direitos

A equipe de defesa de Mangione havia solicitado o adiamento do julgamento federal para o próximo ano, alegando que a sobrecarga com o processo estadual simultâneo - que começa no final de junho em Nova York - violaria diversos direitos constitucionais do acusado. Em carta à juíza Margaret Garnett, os advogados afirmaram que seu cliente "agora se encontra na posição de precisar se preparar para dois julgamentos complexos e sérios simultaneamente".

Os defensores destacaram que, pelo cronograma atual, Mangione precisaria examinar 800 questionários de júri na semana de 29 de junho, justamente durante seu julgamento estadual por homicídio em segundo grau. Além disso, argumentaram que o réu teria que voltar do tribunal todos os dias para dormir na prisão, reduzindo drasticamente o tempo disponível para consultas com sua equipe jurídica. "Na prática, isso seria impossível", atestaram os advogados.

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Promotoria defende direito público a julgamento rápido

Os promotores federais se opuseram firmemente ao adiamento, argumentando que existem alternativas viáveis para garantir tempo suficiente de preparação, como "modificações específicas no processo de questionário" dos jurados. O promotor Dominic Gentile destacou ao tribunal que "o público também tem direito a um julgamento rápido, especialmente em um caso tão importante quanto este".

Gentile fez referência ao apoio popular que Mangione vem recebendo, sugerindo que a juíza só precisaria "olhar pela janela para ver as pessoas que apoiam este réu e acreditam que o que ele fez foi correto". A audiência desta quarta-feira contou com cerca de duas dúzias de fãs do acusado, muitos vestindo trajes verdes em referência ao personagem Luigi, da Nintendo.

Caso que se tornou símbolo de insatisfação popular

O assassinato de Brian Thompson ocorreu em 4 de dezembro de 2024, em uma rua de Manhattan, desencadeando uma extensa operação nacional para encontrar o atirador. Mangione foi detido cinco dias depois em um restaurante McDonald's na Pensilvânia, a aproximadamente 370 quilômetros do local do crime.

Desde então, o caso se transformou em um símbolo da profunda insatisfação de muitos americanos com o sistema de saúde privado e as empresas de seguros. Mangione, que possui uma base significativa de seguidores - majoritariamente mulheres que frequentemente comparecem às suas audiências - alcançou status de "herói popular" entre um contingente considerável de admiradores.

Penas severas e rejeição da pena de morte

Em ambos os julgamentos, Mangione enfrenta a possibilidade de condenação à prisão perpétua sem chance de liberdade condicional. As acusações poderiam ter acarretado a pena de morte, solicitada pelo governo do então presidente Donald Trump, mas essa possibilidade foi rejeitada pela juíza Margaret Garnett no final de janeiro.

O réu, cuja família reside em Baltimore, Maryland, é acusado de ter atirado a sangue frio contra Thompson, executivo de 50 anos que liderava a UnitedHealthcare. Mangione mantém sua declaração de inocência para todas as acusações, enquanto o sistema judicial americano prepara-se para um dos julgamentos mais acompanhados e politicamente carregados dos últimos anos.

A audiência federal está programada para começar efetivamente pouco após a seleção dos jurados, prevista para 26 de outubro ou 2 de novembro, com alegações iniciais e depoimentos de testemunhas seguindo imediatamente. O processo estadual paralelo terá início em 5 de outubro, criando um calendário judicial extraordinariamente denso para o acusado e sua equipe de defesa.

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