O governo da Suíça decretou nesta segunda-feira, 5 de janeiro de 2026, o congelamento imediato de todos os bens do ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro e de seus aliados no país. A medida, com validade de quatro anos, tem como objetivo bloquear a transferência para o exterior de ativos supostamente adquiridos de forma ilícita.
Operação internacional e prisão
A decisão suíça ocorre dois dias após uma ação militar dos Estados Unidos na Venezuela, que resultou na prisão de Maduro e da primeira-dama Cilia Flores. Os dois foram capturados por forças americanas durante a madrugada de sábado, 3 de janeiro, e transportados para os Estados Unidos para serem julgados.
Eles estão detidos no Brooklyn, em Nova York, e devem comparecer a uma audiência perante o juiz distrital Alvin K. Hellerstein. A operação militar, que incluiu bombardeios em Caracas, causou a morte de 40 pessoas, segundo informações do jornal The New York Times.
Acusações de narcoterrorismo
Maduro e sua esposa são acusados formalmente por promotores federais de Manhattan de crimes graves relacionados ao narcoterrorismo. O novo indiciamento alega que o ex-líder venezuelano supervisionou pessoalmente uma rede de tráfico de cocaína patrocinada pelo Estado.
Segundo a acusação, a rede mantinha parcerias com alguns dos grupos criminosos mais violentos do mundo, incluindo:
- Os cartéis mexicanos Sinaloa e Los Zetas.
- O grupo paramilitar colombiano FARC.
- A gangue venezuelana Tren de Aragua.
O documento judicial acusa Maduro de usar sua autoridade e instituições do Estado para facilitar o transporte de milhares de toneladas de cocaína para os Estados Unidos. Entre as condutas imputadas a ele estão o fornecimento de passaportes diplomáticos a traficantes e a facilitação da repatriação de dinheiro do crime organizado.
Congelamento de ativos e reação suíça
Em comunicado oficial, o Conselho Federal suíço justificou o congelamento afirmando que quer "garantir que quaisquer ativos adquiridos ilicitamente não possam ser transferidos para fora da Suíça na situação atual". Não foi divulgado o valor total dos bens bloqueados.
Anteriormente, no sábado, o Ministério das Relações Exteriores da Suíça já havia se manifestado sobre a operação americana, apelando pela desescalada, contenção e respeito ao direito internacional, incluindo a proibição do uso da força.
Além de Maduro e Cilia Flores, também são réus no processo nos EUA o filho do ex-presidente, Nicolás Maduro Guerra, o ministro do Interior Diosdado Cabello, e o líder do Tren de Aragua, Hector Guerrero Flores, conhecido como Niño Guerrero. O procurador americano Jay Clayton afirmou que Maduro permitiu que "a corrupção alimentada pela cocaína florescesse para seu próprio benefício" e de seu círculo próximo.
A acusação se baseia em leis americanas criadas após os ataques de 11 de setembro de 2001, enquadrando Maduro como uma ameaça à segurança nacional dos Estados Unidos. O caso mistura direito penal, direito internacional e questões de segurança, criando um precedente significativo no combate ao crime organizado transnacional.