‘Rei dos processos’ foragido na Itália ameaça repórter do Fantástico ao ser confrontado
‘Rei dos processos’ ameaça repórter do Fantástico na Itália

‘Rei dos processos’ foragido na Itália vive com luxo e ameaça repórter do Fantástico

Uma equipe de reportagem do Fantástico flagrou Luiz Eduardo Bottura, conhecido como o ‘rei dos processos’, no estacionamento do condomínio onde reside em Selvazzano Dentro, cidade próxima a Pádua, na Itália. Foragido da Justiça brasileira, Bottura é acusado pelo Ministério Público de comandar uma organização criminosa especializada em fraudar indenizações, coagir advogados, intimidar autoridades e movimentar processos forjados.

Vida de luxo e confronto tenso com a reportagem

Durante uma semana de acompanhamento, a reportagem constatou que Bottura mantém uma rotina cercada de conforto e ostentação. Ele circula em carros de luxo, incluindo uma Maserati e outro veículo avaliado em 40 mil euros, e reside em um condomínio com acesso a campo de golfe. Ao ser abordado no estacionamento, o investigado negou veementemente todas as acusações.

“Eu não tive mais de 200 processos na justiça e ganhei praticamente todos. É uma mentira que eles falam”, afirmou Bottura, alegando ser vítima de depoimentos falsos. Ele também questionou como a equipe teve acesso aos autos dos processos e, em um momento de tensão, ameaçou levar os repórteres à polícia italiana, embora tenha recuado posteriormente.

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Vítimas relatam prejuízos milionários e falsificação de documentos

A reportagem revelou histórias de vítimas que afirmam ter perdido patrimônio e saúde emocional devido às ações de Bottura. Maria Matuzenetz, viúva que o conheceu como advogado após a morte do marido, relata ter sido convencida a transferir cerca de R$ 7 milhões de herança para uma conta no exterior.

“Eu não tenho paz, eu não tenho dinheiro. Ele tirou tudo de mim. Ele é um capeta em forma humana”, desabafou Maria. Documentos indicam que o valor foi enviado para uma empresa em seu nome no Uruguai e, sem seu conhecimento, transferido para uma conta ligada à esposa de Bottura. A viúva alega que sua assinatura foi falsificada em um termo onde renunciaria à herança por apenas R$ 10 mil.

Esquema criminoso e investigações em andamento

Promotores e delegados ouvidos pelo Fantástico afirmam que Bottura se especializou na produção de documentos falsos para abrir processos que criam dívidas inexistentes. “Nós apuramos que ele deve ter participado de mais de 3 mil ações”, disse um promotor. Ele foi condenado por litigância de má-fé em 327 casos e é considerado o maior litigante serial do Brasil.

Em 2024, o Ministério Público de São Paulo pediu a prisão preventiva de Bottura e de sua esposa, que chegou a ser detida e usa tornozeleira eletrônica no Brasil. A prisão de Bottura na Itália ocorreu no ano passado, após a polícia local identificar movimentações financeiras suspeitas, incluindo a compra de um veículo de meio milhão de reais.

Processo de extradição e tentativa de manipulação

Atualmente, Bottura responde a um processo de extradição, com decisão prevista para a próxima quinta-feira (12) pelo Tribunal de Apelação de Veneza. A investigação descobriu que a defesa apresentou às autoridades italianas a informação falsa de que Henrique Pizzolato, extraditado em 2015, teria morrido na prisão, em uma tentativa suspeita de manipular dados para evitar o retorno do foragido ao Brasil.

Enquanto aguarda a decisão judicial, o ‘rei dos processos’ acumula denúncias e acusações. Segundo uma associação de vítimas, os prejuízos ultrapassam R$ 100 milhões. Para Maria, que hoje vive da venda de mel em feiras, a luta é por justiça e pela chance de reconstruir a vida.

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