Brasil atinge recorde histórico com mais de 3 mil estrangeiros presos; venezuelanos lideram ranking
Recorde de estrangeiros presos no Brasil; venezuelanos lideram

Brasil atinge marca histórica com mais de 3 mil estrangeiros presos em seu sistema carcerário

O Brasil registra atualmente um número recorde de 3.224 estrangeiros custodiados em suas penitenciárias e em regime domiciliar, conforme dados oficiais do Ministério da Justiça. Este é o maior patamar desde o início da série histórica em 2016, mantida pela Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen), refletindo um cenário complexo de segurança e justiça que envolve múltiplas nacionalidades.

Venezuelanos lideram ranking de detenções no território brasileiro

Os números mais recentes, referentes a 2025, mostram que os venezuelanos constituem o grupo mais expressivo, com 703 casos de indivíduos presos ou em regime cautelar. Autoridades de Roraima, estado que serve como principal porta de entrada no Norte do país, atribuem esse fluxo à crise humanitária na Venezuela, que tem levado milhares a emigrar, incluindo criminosos que se aproveitam da fronteira seca e da fiscalização limitada.

De acordo com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), entre 2015 e 2024, quase 570 mil venezuelanos entraram no Brasil, um movimento migratório que também trouxe desafios para a segurança pública. A extensão territorial do Brasil e suas fronteiras com dez países vizinhos têm facilitado a atuação de criminosos internacionais, desde facções organizadas até grandes mafiosos de origens diversas, como italiana, chinesa e mexicana.

Atuação de facções criminosas internacionais em solo brasileiro

Um dos aspectos mais preocupantes desse panorama é a presença de organizações criminosas estrangeiras no Brasil. A principal facção venezuelana, o Tren de Aragua, já opera em território nacional, muitas vezes em parceria com grupos locais como o Primeiro Comando da Capital (PCC). Casos emblemáticos ilustram essa colaboração, como o de uma mulher que usou carteira falsa da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) para acessar presídios e atender criminosos ligados ao Tren de Aragua e ao Comando Vermelho, conforme decisão judicial em Roraima.

Além disso, o Brasil enfrenta um acúmulo significativo de processos judiciais, com quase 300 mil mandados de prisão em aberto, conforme reportagem publicada na edição de 30 de janeiro de 2026 da revista VEJA. Essa situação tem contribuído para a percepção do país como um refúgio para foragidos internacionais, um fenômeno que remonta a casos históricos como o do britânico Ronald Biggs, famoso por assaltar um trem pagador no Reino Unido em 1963 e que viveu no Brasil tratado como celebridade.

Extradições e casos de terrorismo ampliam complexidade do tema

Em situações de crimes cometidos no exterior e fuga para o Brasil, o país pode solicitar a extradição, um processo que cabe ao Supremo Tribunal Federal (STF) processar e julgar, conforme estabelece a Constituição Federal de 1988. Relatórios obtidos por VEJA indicam que autoridades brasileiras já prenderam terroristas em São Paulo nos últimos anos, incluindo um criminoso da Turquia em 2019 e outro do Egito em 2024, demonstrando a diversidade de ameaças que permeiam o sistema de justiça.

Os dados detalhados do Ministério da Justiça revelam que, dos 3.224 estrangeiros custodiados, 2.897 estão em penitenciárias, enquanto outros 327 cumprem pena em regime domiciliar, com ou sem monitoramento. Essa distribuição evidencia não apenas o volume recorde, mas também as nuances do sistema penal brasileiro no tratamento de detentos internacionais.

Em resumo, o aumento no número de estrangeiros presos no Brasil reflete uma convergência de fatores, desde crises humanitárias em países vizinhos até a atuação de facções criminosas transnacionais. Com fronteiras extensas e uma legislação que permite a extradição sob supervisão do STF, o país se vê diante de desafios crescentes na gestão de sua segurança pública e no combate ao crime organizado internacional, exigindo políticas mais eficazes e cooperação entre nações.