Rainha da cetamina condenada a 15 anos por envolvimento na morte de Matthew Perry
A traficante Jasveen Sangha, conhecida no submundo do crime como "rainha da cetamina", foi condenada a 15 anos de prisão nos Estados Unidos por seu envolvimento direto na trágica morte do ator Matthew Perry, ocorrida em 2023. As investigações conduzidas pelas autoridades norte-americanas revelaram que foi através da rede de Sangha que parte da substância ilícita chegou até as mãos do renomado ator, culminando em um desfecho fatal.
Laudo toxicológico aponta cetamina como causa da morte
O laudo toxicológico oficial, divulgado após extensas análises, apontou a cetamina como a causa principal da morte de Matthew Perry. A substância, que é um anestésico de uso médico e veterinário, provocou no ator os "efeitos agudos da substância", resultando em uma perda súbita e completa de consciência. Incapaz de reagir ou se mover, Perry acabou se afogando na banheira de hidromassagem de sua residência.
Vale destacar que Matthew Perry estava em tratamento com cetamina em uma clínica especializada, mas, após ter um aumento de dose negado pelos médicos, passou a buscar a droga fora do ambiente controlado, recorrendo ao mercado ilegal onde Jasveen Sangha atuava como uma das principais fornecedoras.
A dualidade da cetamina: uso médico versus recreativo
A cetamina, também conhecida como quetamina ou ketamina, é classificada como um anestésico dissociativo que altera profundamente a percepção da realidade e do próprio corpo. Enquanto no âmbito médico ela é utilizada de forma segura para sedação e controle da dor, seu uso recreativo, que surgiu nos Estados Unidos na década de 1970 e se popularizou em festas e clubes a partir dos anos 1990, carrega riscos significativos.
No mercado ilegal, a substância circula sob apelidos como "special K", "keta" ou "key", sendo consumida sem qualquer controle sobre dosagem, pureza ou procedência, o que amplia exponencialmente os perigos associados.
Potencial terapêutico e riscos do uso indevido
Paradoxalmente, a cetamina tem ganhado espaço na psiquiatria moderna como uma ferramenta promissora no tratamento de depressão resistente. Estudos demonstram que a substância pode promover uma melhora rápida do humor, diferentemente dos antidepressivos tradicionais que levam semanas para surtir efeito. Em 2020, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária aprovou até mesmo um derivado, o cloridrato de escetamina, como antidepressivo em spray nasal para casos específicos.
No entanto, como explica o psiquiatra Rodrigo Leite, professor colaborador do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas, "embora exista aplicação terapêutica, há um risco considerável de abuso e dependência quando o uso não é feito de forma controlada". O uso médico é rigorosamente supervisionado, com doses calculadas e monitoramento contínuo, enquanto o uso ilegal expõe os indivíduos a efeitos imprevisíveis e potencialmente fatais.
Efeitos perigosos e o caso de Matthew Perry
Quando utilizada fora de contexto médico, a cetamina atua diretamente no sistema nervoso central, interferindo na forma como o cérebro processa estímulos. Em doses menores, pode causar euforia e distorções sensoriais; em doses maiores, leva à perda de coordenação, dificuldade de resposta e, como no caso de Perry, à perda completa de consciência.
Esse estado de inconsciência é extremamente perigoso, pois a pessoa se torna incapaz de reagir a qualquer ameaça ambiental, como a imersão em água. Além dos riscos imediatos, o uso repetido e não controlado pode levar rapidamente à dependência química, criando um ciclo vicioso de consumo e exposição a eventos adversos.
A condenação de Jasveen Sangha a 15 anos de prisão serve como um alerta severo sobre os perigos do tráfico e do consumo ilegal de substâncias como a cetamina, destacando a linha tênue entre seu uso terapêutico benéfico e seu potencial destrutivo quando desviado para fins recreativos.



