Juíza federal impede pena de morte em caso de assassinato de CEO nos Estados Unidos
Em uma decisão judicial significativa, promotores federais dos Estados Unidos foram impedidos de solicitar a pena de morte contra Luigi Mangione, acusado pelo assassinato do CEO da UnitedHealthcare, Brian Thompson. A determinação, emitida na sexta-feira (30), representa um revés para a administração do presidente Donald Trump, que havia buscado a execução capital para o que descreveu como um crime chocante e premeditado.
Falha técnica na acusação de homicídio federal
A juíza distrital dos EUA, Margaret Garnett, nomeada pelo ex-presidente Joe Biden, rejeitou a acusação federal de homicídio contra Mangione, considerando-a tecnicamente deficiente. No entanto, a magistrada manteve as acusações de perseguição, que podem resultar em uma sentença máxima de prisão perpétua, sem a possibilidade de liberdade condicional.
Mangione, de 27 anos, já havia se declarado inocente tanto das acusações federais quanto estaduais de homicídio. As acusações em nível estadual, que também preveem a pena de prisão perpétua, continuam em vigor, com o julgamento ainda não agendado.
Cronograma dos processos judiciais
O processo federal avança com a seleção do júri marcada para iniciar em 8 de setembro. Paralelamente, o gabinete do promotor distrital de Manhattan enviou uma carta ao juiz responsável pelo caso estadual, solicitando que a data do julgamento fosse estabelecida para 1º de julho, indicando a pressa das autoridades em levar o caso a tribunal.
Contexto do crime que abalou os Estados Unidos
Brian Thompson, de 50 anos, foi morto em 4 de dezembro de 2024, enquanto se dirigia a um hotel no centro de Manhattan para participar da conferência anual de investidores do UnitedHealth Group. Imagens de câmeras de segurança capturaram um atirador mascarado disparando contra ele pelas costas, em um ato que a polícia descreveu como meticulosamente planejado.
Investigadores relataram que as palavras "atrasar", "negar" e "depor" estavam inscritas nas munições utilizadas, em uma clara referência a frases comumente associadas a práticas de seguradoras para evitar o pagamento de indenizações. Este detalhe sugere um possível motivo relacionado a questões de seguros ou saúde.
Captura e perfil do acusado
Mangione, um graduado de uma universidade da Ivy League e membro de uma família abastada de Maryland, foi preso cinco dias após o crime em um estabelecimento do McDonald's em Altoona, Pensilvânia, localizado a aproximadamente 370 quilômetros de Manhattan. Sua captura ocorreu após uma intensa investigação policial que mobilizou recursos em múltiplos estados.
Implicações políticas da busca pela pena de morte
A tentativa de impor a pena de morte neste caso foi uma iniciativa direta da Procuradora-Geral Pam Bondi, que, em abril passado, ordenou aos promotores federais de Manhattan que buscassem a execução capital contra Mangione. Esta ação alinhava-se com a promessa de campanha do presidente Trump de revigorar o uso da pena de morte a nível federal, após sua suspensão durante o governo Biden.
A decisão da juíza Garnett, portanto, não apenas afeta o destino de Mangione, mas também sinaliza um contraponto judicial às políticas de justiça criminal da atual administração, destacando as tensões entre os poderes Executivo e Judiciário nos Estados Unidos.