Novo México investiga denúncia de corpos enterrados perto de rancho de Epstein
Novo México investiga corpos enterrados perto de rancho de Epstein

Novo México inicia investigação sobre denúncia de corpos enterrados próximo a rancho de Epstein

O Departamento de Justiça do Novo México abriu oficialmente uma investigação para apurar uma grave denúncia que surgiu em documentos recentemente divulgados: a acusação de que o financista Jeffrey Epstein teria ordenado o enterro de dois corpos nas proximidades de seu rancho no Estado. Esta revelação sensível emergiu de um e-mail de 2019 que foi incluído na mais recente leva de documentos tornados públicos pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, reacendendo as controvérsias em torno do caso do bilionário falecido.

Documento censurado e pedido de transparência

Lauren Rodriguez, porta-voz da promotoria estadual do Novo México, confirmou que as autoridades locais solicitaram ao governo federal uma versão completa e sem tarjas do e-mail em questão. O documento original, que continha informações parcialmente ocultas, precisa ser examinado em sua totalidade para que se possa avaliar adequadamente o teor das alegações apresentadas. O Federal Bureau of Investigation (FBI) ainda não se pronunciou sobre o caso, mantendo um silêncio que contrasta com a movimentação das autoridades estaduais.

"Estamos investigando ativamente essa denúncia e conduzindo uma revisão mais ampla à luz da divulgação mais recente de documentos", afirmou Rodriguez em comunicado oficial. A mensagem eletrônica, enviada poucos meses após a morte de Epstein em agosto de 2019, foi originalmente encaminhada ao apresentador de rádio Eddy Aragon, que atua no Novo México.

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Conteúdo alarmante do e-mail

O remetente do polêmico e-mail identificou-se como um ex-funcionário do rancho Zorro, propriedade de Epstein localizada aproximadamente 48 quilômetros ao sul de Santa Fé. Em sua comunicação, ele fez alegações perturbadoras:

  • Afirmou possuir vídeos que mostrariam Epstein mantendo relações com menores de idade
  • Ofereceu este material em troca de um bitcoin como pagamento
  • Alegou que duas jovens estrangeiras teriam sido enterradas "em algum lugar nas colinas fora do Zorro" por ordem direta do financista

Segundo relatos de Aragon à agência Reuters, ele próprio encaminhou o conteúdo ao FBI após recebê-lo. Não há nenhuma indicação pública de que o pagamento em bitcoin tenha sido realizado ou de que os vídeos mencionados realmente existam, o que coloca questões sobre a veracidade das alegações.

Contexto investigativo e político

A revelação deste e-mail ocorre em um momento particularmente sensível: o Legislativo do Novo México iniciou recentemente a primeira investigação abrangente sobre denúncias de abuso sexual supostamente cometido por Epstein no Zorro Ranch ao longo de mais de duas décadas. Este desenvolvimento coloca o caso novamente no centro do debate político nacional, exercendo pressão sobre o presidente Donald Trump, que enfrenta cobranças de parlamentares democratas por maior transparência na divulgação de documentos ligados ao financista.

Stephanie Garcia Richard, comissária de Terras Públicas do Novo México, afirmou ter localizado o e-mail durante análise recente dos novos arquivos. Em carta enviada ao Departamento de Justiça em 10 de fevereiro, ela pediu investigação completa sobre eventuais crimes cometidos no rancho e em áreas adjacentes pertencentes ao Estado.

Histórico da propriedade e do caso

Epstein havia arrendado cerca de 503 hectares de terras públicas ao redor da propriedade em 1993, criando uma zona de isolamento em torno do rancho. Os contratos foram cancelados em setembro de 2019, após autoridades estaduais concluírem que as áreas não estavam sendo utilizadas para atividades agropecuárias como originalmente previsto, mas sim como área de proteção ao redor da propriedade privada.

O histórico criminal de Epstein é extenso:

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  1. Condenação em 2008 por aliciamento de prostituição envolvendo menor de idade
  2. Nova prisão em 2019 sob acusação federal de tráfico sexual de menores
  3. Morte em agosto de 2019 em uma prisão de Nova York, oficialmente classificada como suicídio

Desde sua morte, sucessivas divulgações de documentos judiciais e administrativos vêm alimentando investigações e controvérsias políticas tanto nos Estados Unidos quanto no exterior. A nova apuração no Novo México adiciona um capítulo ainda mais sensível a um caso que continua a produzir desdobramentos quase sete anos após o falecimento do financista, demonstrando como as repercussões do escândalo Epstein permanecem vivas e ativas no cenário jurídico e político americano.