Operação militar contra cartel mergulha México em crise de segurança
O governo mexicano anunciou nesta segunda-feira (23) o envio de mais 2 mil soldados para o estado de Jalisco, em resposta à grave onda de violência que se seguiu à operação que resultou na captura e morte de Nemesio Oseguera Cervantes, conhecido como "El Mencho". O líder do cartel Jalisco Nova Geração foi eliminado durante uma ação militar de grande escala, desencadeando uma série de ataques coordenados por parte da organização criminosa.
Violência generalizada e medidas de emergência
Segundo informações do Ministério da Defesa do México, uma das lideranças do cartel, identificada como "El Tuli", ordenou uma série de ações violentas em retaliação à morte de El Mencho. Estas incluíram bloqueios em estradas, incêndios criminosos e ataques diretos contra prédios públicos em Jalisco e outras regiões do país. O saldo trágico já ultrapassa 70 mortos, sendo 25 deles membros da Guarda Nacional.
O cartel chegou a oferecer recompensa de 20 mil pesos (equivalente a aproximadamente R$ 6 mil) pela morte de militares, intensificando o clima de terror. Como medida de segurança, autoridades orientaram moradores e turistas a permanecerem em casa desde o domingo. Companhias aéreas cancelaram voos para destinos turísticos como Puerto Vallarta, no Pacífico, onde turistas registraram densas nuvens de fumaça provenientes dos incêndios.
Impacto na infraestrutura e resposta governamental
A situação de emergência afetou profundamente a rotina do estado. Caminhoneiros receberam instruções para alterar suas rotas ou retornar aos depósitos, enquanto escolas e universidades suspenderam as aulas não apenas em Jalisco, mas também em outros estados mexicanos. A presidente Claudia Sheinbaum afirmou que, até a manhã de segunda-feira, os bloqueios nas estradas haviam sido desfeitos e que a situação deveria se normalizar gradualmente, com a previsão de retomada dos voos até terça-feira (24).
O ministro da Segurança, Omar García Harfuch, revelou que possíveis sucessores de El Mencho estão sob rigorosa vigilância, e as autoridades monitoram atentamente o risco de novos ataques, tanto do cartel Jalisco Nova Geração quanto de grupos rivais que possam tentar aproveitar o vácuo de poder.
Contexto internacional e operação que culminou na morte
El Mencho chefiava uma das organizações criminosas mais violentas do México, apontada como principal fornecedora de fentanil para os Estados Unidos. Procurado há anos pelas autoridades mexicanas e norte-americanas, o Departamento de Estado dos EUA chegou a oferecer uma recompensa de US$ 15 milhões por informações que levassem à sua captura.
A operação que resultou em sua morte começou no sábado (21), quando serviços de inteligência localizaram o criminoso em um imóvel em Tapalpa, Jalisco, após a visita de sua namorada. Uma força-tarefa composta por integrantes da Guarda Nacional, forças especiais, aeronaves militares e seis helicópteros foi mobilizada. Após confrontos que deixaram oito suspeitos mortos, El Mencho foi encontrado ferido em uma área de mata. Transportado de helicóptero, o criminoso faleceu durante o voo, que precisou ser desviado devido à violência que já se espalhava pela região.
Repercussão política e perspectivas futuras
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, comentou a situação em rede social, afirmando que o México "precisa intensificar os esforços contra cartéis e drogas". Enquanto isso, o governo mexicano trabalha para conter a crise, com mais de 70 prisões já efetuadas em sete estados. O corpo de El Mencho foi transportado para a Cidade do México, encerrando uma caçada de anos, mas abrindo um capítulo incerto na guerra contra o narcotráfico no país.
A operação, embora bem-sucedida em seu objetivo principal, expôs a fragilidade da segurança pública diante da reação imediata e brutal do crime organizado, colocando toda a nação em estado de alerta máximo.