A ex-namorada e cúmplice de Jeffrey Epstein, Ghislaine Maxwell, condenada a 20 anos de prisão por auxiliar o criminoso sexual no abuso de adolescentes, recusou-se a responder perguntas de congressistas dos Estados Unidos nesta segunda-feira (9).
Silêncio estratégico e pedido de clemência
Maxwell evocou seu direito constitucional de permanecer em silêncio durante o depoimento, realizado por vídeo a partir da prisão no Texas onde cumpre sua sentença. Ela continua a defender sua inocência e busca reverter a condenação judicial.
A defesa de Maxwell já havia alertado legisladores de que ela não responderia a questões, mas congressistas, liderados pelo republicano James Comer, presidente do Comitê de Supervisão e Reforma do Governo da Câmara, insistiram na realização da audiência.
Revelações sobre imunidade e críticas políticas
Após a sessão, Comer afirmou que Maxwell inicialmente solicitou ao comitê que lhe concedesse imunidade para testemunhar. "Quando nos reunimos com as sobreviventes de Epstein, ficou bem claro, segundo as sobreviventes, que Maxwell era uma pessoa muito ruim e que cometeu muitos crimes", declarou o republicano.
De acordo com Comer, durante a audiência, ela também pediu imunidade diretamente ao ex-presidente dos EUA, Donald Trump. "Não acho que ela deva receber qualquer tipo de imunidade ou clemência. Mas, obviamente, à medida que mais documentos forem lidos e compreendidos, vamos avaliar a partir daí", completou.
Reação dos democratas e questões não respondidas
Do lado democrata, congressistas criticaram veementemente o silêncio de Maxwell. A deputada Jasmine Crockett, do Texas, afirmou que ela e seus colegas de partido buscarão trazer a cúmplice de Epstein de volta para contribuir efetivamente com a investigação.
"Está muito claro que ela usou essa oportunidade não apenas para fazer campanha por clemência, como vem fazendo, mas também para enviar uma mensagem direta que espera que as pessoas presentes no depoimento transmitam ao presidente dos EUA: a de que o silêncio dela pode ser comprado por meio de clemência", disse Crockett.
Os legisladores destacaram que possuem diversas perguntas cruciais para Maxwell que permanecem sem resposta, incluindo:
- Identificação das pessoas envolvidas em tráfico sexual
- Detalhes sobre esquemas de lavagem de dinheiro
- Possível envolvimento do ex-presidente Donald Trump no caso
Contexto político e próximas audiências
A deputada democrata Melanie Stansbury enfatizou: "Vamos ser claros, Donald Trump não foi apenas citado, como foi citado mais de 38 mil vezes nos arquivos que foram divulgados há duas semanas".
O comitê tem sido palco de intensas disputas políticas em torno do caso Epstein. Na semana passada, o ex-presidente Bill Clinton e a ex-secretária de Estado Hillary Clinton exigiram uma audiência pública para esclarecer sua relação com Epstein – o democrata aparece com o criminoso sexual em fotos divulgadas pelo Departamento de Justiça.
Ambos foram convocados para audiências no comitê, que investiga conexões entre Epstein e figuras poderosas nos EUA, mas não compareceram. Eles alegaram já ter fornecido todas as informações disponíveis ao Legislativo e classificaram a insistência em suas presenças como manobra política.
Recentemente, concordaram em depor após o comitê aprovar resoluções recomendando que o plenário os declare culpados por desacato criminal ao Congresso – crime que pode resultar em multas de até US$ 100 mil (R$ 532 mil) ou um ano de prisão.
Calendário das próximas audiências do caso Epstein
- 18 de fevereiro: Lex Wexner, cliente de Epstein e ex-CEO da Victoria's Secret
- 26 de fevereiro: Hillary Clinton, ex-secretária de Estado dos EUA
- 27 de fevereiro: Bill Clinton, ex-presidente dos EUA
- 11 de março: Richard Kahn, contador de Epstein
- 19 de março: Darren Indike, advogado de Epstein
O caso continua a gerar tensões políticas significativas enquanto investigações buscam esclarecer a extensão da rede de Epstein e suas conexões com elites americanas.