O ditador venezuelano Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, foram capturados pelos Estados Unidos e agora enfrentarão a Justiça de Nova York. A prisão ocorreu neste sábado (3), durante uma operação militar americana contra a Venezuela.
Acusações graves e recompensa
De acordo com a secretária de Justiça do governo Trump, Pam Bondi, Maduro, Flores e mais quatro pessoas são acusados formalmente de crimes graves. As acusações incluem narcoterrorismo, conspiração para importar cocaína nos Estados Unidos, porte de armas de fogo e conspiração para portar armas de fogo.
Washington já mantinha um indiciamento anterior contra o líder venezuelano e oferecia uma recompensa por sua captura. O secretário de Estado, Marco Rubio, figura central na pressão americana sobre a Venezuela, classificou Maduro como um "fugitivo da Justiça americana".
O alegado "Cartel dos Sóis" e a polêmica
A acusação federal sustenta que, durante seu governo, Maduro teria comandado uma organização denominada "Cartel dos Sóis". O objetivo, segundo o documento, seria enriquecer a si mesmo e a seus aliados, consolidar poder e "inundar os Estados Unidos com cocaína" para prejudicar a população americana.
No entanto, especialistas contestam a existência desse grupo de forma estruturada como um cartel. Eles também destacam uma inconsistência geográfica: a Venezuela não é um grande produtor de cocaína, e as rotas de tráfico que partem do país têm como destino principal portos europeus, não os EUA.
Declarações inflamadas e alegações não detalhadas
O governo Trump foi além nas alegações, afirmando que Maduro usou a cocaína como "arma contra a América". O vice-presidente J. D. Vance foi enfático ao dizer que o ditador não poderia escapar da Justiça americana por viver em um palácio em Caracas.
Vance também mencionou que Washington ofereceu "uma série de alternativas" a Maduro, sem especificá-las, e repetiu uma antiga afirmação de Donald Trump, exigindo que a Venezuela "devolva o petróleo roubado" dos EUA. A acusação de roubo de petróleo, no entanto, não foi esclarecida ou detalhada pelo governo americano.
Consequências e próximos passos
A captura e o julgamento iminente de um chefe de Estado em exercício por um tribunal estrangeiro marcam um evento sem precedentes nas relações internacionais recentes. O caso promete acirrar ainda mais as tensões entre Washington e Caracas, com repercussões imprevisíveis para a política e a economia da região.
O julgamento em Nova York será o palco onde as complexas acusações de narcoterrorismo serão postas à prova, sob o escrutínio da comunidade internacional e sob um forte viés político.