Maduro enfrenta tribunal por narcoterrorismo após captura nos EUA
Maduro em tribunal federal por narcoterrorismo

O ex-ditador venezuelano Nicolás Maduro deve comparecer perante um tribunal federal em Manhattan nesta segunda-feira, 5 de janeiro de 2026, para responder a graves acusações de narcoterrorismo. A audiência ocorre dias após sua captura por forças americanas em Caracas, evento que gerou incertezas sobre o futuro da nação rica em petróleo.

Julgamento e acusações

Maduro, de 63 anos, e sua esposa, Cilia Flores, foram presos no Brooklyn após uma operação militar dos Estados Unidos realizada no sábado, 3 de janeiro. A audiência está marcada para as 12h, perante o juiz Alvin K. Hellerstein, de 92 anos, que já conduzia o caso desde 2020.

Segundo a imprensa americana, espera-se que ambos se declarem inocentes. O magistrado deve, então, ordenar a manutenção da prisão preventiva até a realização do julgamento, que pode levar mais de um ano para acontecer, conforme apontam veículos como o The New York Times.

Os promotores federais do Distrito Sul de Nova York acusam Maduro de ser o chefe de um cartel formado por autoridades políticas e militares venezuelanas. A acusação alega que, por mais de 25 anos, ele conspirou com grupos de tráfico de drogas e organizações designadas como terroristas para traficar milhares de toneladas de cocaína para os Estados Unidos.

Rede de tráfico e crimes alegados

A nova acusação, revelada no sábado, detalha que Maduro supervisionou pessoalmente uma rede de tráfico patrocinada pelo Estado. A rede teria se associado a alguns dos grupos criminosos mais violentos do mundo, incluindo os cartéis mexicanos Sinaloa e Zetas, o grupo paramilitar colombiano Farc e a gangue venezuelana Tren de Aragua.

Os crimes teriam começado com sua eleição para a Assembleia Nacional da Venezuela em 2000, passando por seu mandato como ministro das Relações Exteriores (2006-2013) e por sua ascensão à presidência em 2013. Como chanceler, ele teria vendido passaportes diplomáticos a traficantes e fornecido cobertura para voos que transportavam dinheiro do narcotráfico.

De 2004 a 2015, Maduro e sua esposa estariam envolvidos no uso de gangues criminosas estatais para traficar cocaína apreendida, além de ordenar sequestros, espancamentos e assassinatos para proteger operações e cobrar dívidas. Como presidente, ele teria direcionado rotas de tráfico, usado as Forças Armadas para proteger carregamentos e abrigado grupos violentos.

Consequências e reações internacionais

Maduro enfrenta acusações formais de narcoterrorismo, conspiração para importação de cocaína e posse de armas. Se condenado, pode receber penas que variam de décadas até a prisão perpétua por cada crime. Atualmente, ele está detido no Centro de Detenção Metropolitano (MDC) de Nova York, mesma prisão que já abrigou figuras notórias como Jeffrey Epstein e Sean "Diddy" Combs.

Sua captura marca a intervenção mais direta de Washington na América Latina desde a invasão do Panamá, há 37 anos. A operação foi resultado de uma campanha de meses do governo Trump, que autorizou ações contra navios com petróleo venezuelano e ataques a embarcações suspeitas de tráfico de drogas.

Especialistas em direito internacional questionam a legalidade da ação. O Conselho de Segurança da ONU deve se reunir nesta segunda-feira para discutir o ataque, descrito pelo secretário-geral António Guterres como um "precedente perigoso". Rússia e China, aliados da Venezuela, já criticaram os Estados Unidos.

O futuro do processo agora depende da capacidade dos promotores em apresentar provas concretas do envolvimento direto de Maduro nas atividades de tráfico, um desafio considerável que definirá um dos julgamentos mais emblemáticos da década.