EUA acusam Maduro de narcoterrorismo após deposição militar
Maduro acusado de narcoterrorismo por tribunal dos EUA

O cenário político internacional foi abalado neste sábado, 3 de janeiro de 2026, com a deposição do líder venezuelano Nicolás Maduro por meio de uma ação militar conduzida pelos Estados Unidos. Imediatamente após a intervenção, o Tribunal Distrital dos Estados Unidos, no Distrito Sul de Nova York, tornou pública uma pesada acusação criminal contra Maduro, sua esposa, seu filho e altos membros de seu governo.

Os detalhes da acusação formal

A denúncia criminal, conhecida como indictment, acusa formalmente Nicolás Maduro de crimes graves, incluindo conspiração para o narcoterrorismo e conspiração para a importação de cocaína. O documento judicial, ao qual a redação teve acesso, detalha que Maduro e seus aliados teriam usado o aparato estatal venezuelano para transportar milhares de toneladas de cocaína para os Estados Unidos, aproveitando-se de sua autoridade e corrompendo instituições.

Além do presidente deposto, também são citados como réus a primeira-dama Cilia Flores de Maduro, o filho do casal Nicolás Maduro Guerra, o ministro do Interior Diosdado Cabello e o líder do maior grupo criminoso do país, Héctor Guerrero Flores, conhecido como "Niño Guerrero" do Trem de Arágua.

Uma rede de corrupção e tráfico

A acusação traça uma linha do tempo de supostas atividades ilícitas, alegando que Maduro já movimentava carregamentos de cocaína sob proteção policial quando era membro da Assembleia Nacional. O documento também imputa a ele o fornecimento de passaportes diplomáticos a traficantes conhecidos e a facilitação de cobertura diplomática para que criminosos mexicanos repatriassem dinheiro ilegal da Venezuela.

"Maduro Flores permite que a corrupção alimentada pela cocaína floresça para seu próprio benefício, para o benefício dos membros de seu regime governante e para o benefício de seus familiares", afirmou o procurador dos Estados Unidos, Jay Clayton, no texto da acusação.

Reações internacionais e justificativa legal

A ação militar ordenada pelo presidente americano Donald Trump, que anunciou que os EUA assumirão a Venezuela em um período de transição indefinido, representou uma guinada nos parâmetros do Direito Internacional. A medida, que despreza o princípio da soberania nacional, gerou críticas de espectros políticos opostos, desde o presidente brasileiro Lula até a líder de extrema-direita francesa Marine Le Pen.

A base legal para a acusação de narcoterrorismo e a subsequente intervenção se apoia em uma lei americana pós-11 de setembro de 2001, que enquadra Maduro como uma ameaça à segurança nacional dos Estados Unidos. "Quando um aparato estatal é acusado de operar em coordenação com organizações terroristas oficialmente designadas, tanto o direito internacional quanto o direito americano reconhecem que medidas extraordinárias podem ser justificadas", explicou Martin De Luca, advogado da Trump Media.

O documento do tribunal nova-iorquino é enfático ao descrever o governo Maduro: "um governo corrupto e ilegítimo que, por décadas, usou o poder governamental para proteger e promover atividades ilegais, incluindo o narcotráfico". A acusação também inclui alegações de que Maduro patrocinou gangues (colectivos) e ordenou sequestros, espancamentos e assassinatos para cobrar dívidas do tráfico.

Com um mandado de prisão internacional já expedido, Nicolás Maduro deverá ser levado ao banco dos réus assim que desembarcar em solo americano, marcando um capítulo sem precedentes nas relações entre os dois países e no combate internacional ao narcotráfico associado a figuras de Estado.