Jornalista americana é sequestrada no Iraque; vídeo mostra possível momento da captura
A jornalista americana Shelly Kittleson foi sequestrada nesta terça-feira, 31 de março de 2026, em Bagdá, capital do Iraque, conforme confirmado pelo Ministério do Interior do país. Autoridades policiais estão realizando buscas intensivas pela cidade, segundo informações de duas fontes ouvidas pela agência de notícias Reuters.
Detalhes do sequestro e perseguição policial
Shelly Kittleson é uma repórter freelancer baseada em Roma, que já escreveu para veículos de comunicação renomados como a emissora britânica BBC e o site de notícias americano Politico. De acordo com o portal AL-Monitor, especializado em notícias do Oriente Médio, Kittleson possui vasta experiência cobrindo conflitos na região e contribuiu regularmente com artigos para a publicação.
Dois oficiais de segurança iraquianos, que falaram sob condição de anonimato à Associated Press, relataram que o sequestro envolveu dois carros. Durante uma perseguição policial perto da cidade de Al-Haswa, na província de Babil, sudoeste de Bagdá, um dos veículos sofreu um acidente e foi apreendido. A jornalista teria sido transferida para um segundo carro, que conseguiu fugir do local.
Vídeo circula nas redes sociais e milícia é apontada
Um vídeo que está circulando amplamente nas redes sociais mostra o que usuários afirmam ser o momento exato do sequestro de Kittleson. Nas imagens, homens são vistos segurando uma mulher e a colocando à força em um carro, enquanto indivíduos em outros dois veículos vigiam a ação. A veracidade do material ainda não foi confirmada oficialmente.
Alex Plitsas, pesquisador sênior não residente do think tank Atlantic Council e ex-funcionário do Pentágono, confirmou no X, antigo Twitter, que a jornalista sequestrada era Kittleson, revelando ainda que ele é o contato designado dela nos Estados Unidos. Em sua publicação, Plitsas escreveu: “Posso confirmar que minha amiga Shelly Kittleson foi sequestrada e possivelmente mantida como refém em Bagdá pelo Kataib Hezbollah”.
Contexto político e reações internacionais
O Kataib Hezbollah é uma milícia iraquiana apoiada pelo Irã, conhecida por ações anteriores, como manter a acadêmica israelense-russa Elizabeth Tsurkov como refém por dois anos e meio, até sua libertação com intervenção americana. Tsurkov detalhou em entrevistas à imprensa as torturas e abusos sexuais sofridos durante o cativeiro.
O sequestro ocorre em um momento delicado, com a guerra entre os Estados Unidos e Israel contra o Irã entrando em seu segundo mês. O Irã tem utilizado suas milícias aliadas no Iraque para realizar ataques contra forças americanas estacionadas em bases no país, que foi invadido pelos EUA em 2003 e ainda abriga tropas americanas.
O Al-Monitor emitiu um comunicado expressando estar “profundamente alarmado” com o sequestro e exigindo a libertação imediata e segura da repórter. A organização destacou: “Apoiamos seu trabalho jornalístico essencial na região e exigimos seu rápido retorno para que ela possa continuar sua importante missão”.
Quando contatado pela Reuters, o Departamento de Estado dos Estados Unidos afirmou que Washington está acompanhando os relatos do sequestro, mas se recusou a fornecer detalhes adicionais, citando questões de privacidade e outras considerações. Até o momento, o Kataib Hezbollah não reivindicou oficialmente a autoria do sequestro.



