Israel retira acusações contra soldados acusados de abuso sexual de palestino
Israel retira acusações contra soldados por abuso sexual de palestino

Israel encerra caso de abuso sexual contra detento palestino após retirada de acusações

As forças militares israelenses anunciaram a retirada das acusações contra cinco soldados acusados de abusar sexualmente de um detento palestino, em um episódio que teria sido parcialmente filmado. A decisão, divulgada no dia 12, encerra um caso que dividiu profundamente o país desde a prisão dos militares em julho de 2024, após os eventos ocorridos na notória prisão militar de Sde Teiman.

Protestos e reações políticas ao caso

A detenção dos soldados israelenses provocou a ira de membros do governo de extrema direita e de ultranacionalistas radicais, que invadiram violentamente a prisão em protesto. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu comemorou o anúncio, enquanto grupos de direitos humanos acusaram os militares de acobertar um dos casos mais graves de abuso na rede de prisões do país em tempos de guerra.

Sde Teiman foi criada após 7 de outubro de 2023, perto de Beersheba, no deserto do Neguev, para abrigar palestinos detidos em Gaza durante o conflito entre Israel e o grupo militante Hamas. A instalação secreta rapidamente ganhou notoriedade à medida que funcionários e palestinos libertados descreviam cenas de abuso e tortura.

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Alegações detalhadas de violência e abuso

As alegações ganharam força depois que a imprensa israelense exibiu um vídeo vazado mostrando soldados agredindo sexualmente um prisioneiro palestino. Segundo a acusação, os militares foram acusados de:

  • Arrastar o palestino pelo chão
  • Eletrocutá-lo com uma arma de choque
  • Agredi-lo sexualmente, esfaqueando-o no reto
  • Causar múltiplos ferimentos ao detento

A vítima foi levada a um hospital israelense com costelas fraturadas e traumatismo contuso no abdômen e no tórax, passando por uma cirurgia para tratar uma perfuração retal antes de retornar à prisão.

Justificativa legal para a retirada das acusações

Os procuradores militares alegaram que as acusações foram retiradas porque o vídeo não mostrava abusos violentos o suficiente para justificar uma condenação criminal, além de ter sido vazado indevidamente para a mídia. O texto da decisão acrescenta que a vítima já havia sido libertada e retornado a Gaza, criando uma "ausência de certeza" sobre sua disponibilidade para testemunhar em um julgamento.

Segundo o procurador-geral militar Itai Ofir, "circunstâncias excepcionais afetaram negativamente a capacidade de prosseguir com o processo, preservando, ao mesmo tempo, o direito dos réus a um julgamento justo".

Críticas de organizações de direitos humanos

Sari Bashi, diretora-executiva do Comitê Público Contra a Tortura em Israel, declarou: "O procurador-geral militar de Israel acaba de dar licença para que seus soldados estuprem – contanto que a vítima seja palestina". Ela afirmou que a decisão representa "a mais recente de uma longa série de ações que acobertam abusos contra detentos, cuja frequência e gravidade pioraram desde 7 de outubro de 2023".

Netanyahu criticou a investigação original, afirmando que "o Estado de Israel deve perseguir seus inimigos, não seus heróis combatentes". O Exército informou que o chefe do Estado-Maior, tenente-general Eyal Zamir, pediu aos militares que "tirassem lições" do ocorrido para evitar situações semelhantes no futuro.

Consequências internas e vazamento do vídeo

O caso custou o emprego da principal assessora jurídica militar na época das prisões dos soldados. Em novembro de 2025, a procuradora-geral militar Yifat Tomer-Yerushalmi admitiu ter aprovado o vazamento do vídeo que mostrava os supostos abusos. Diante da indignação no governo de Netanyahu, ela renunciou abruptamente e desapareceu, sendo encontrada sem celular em uma praia de Tel Aviv após uma busca frenética das autoridades.

Posteriormente, Tomer-Yerushalmi foi detida. Ela justificou o vazamento como uma medida extrema para rechaçar propaganda contra o departamento jurídico das Forças de Israel, encarregado de manter o Estado de Direito. O celular, que se acredita conter possíveis provas contra ela, foi recuperado no mar.

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Contexto de acusações de leniência

Israel é acusado há tempos de não responsabilizar adequadamente seus soldados por crimes cometidos contra palestinos. As acusações se intensificaram durante a guerra em Gaza. O governo israelense afirma que suas forças agem dentro dos limites da lei militar e internacional e que investiga minuciosamente quaisquer supostos abusos.

A Associated Press investigou as alegações de tratamento desumano e abusos em Sde Teiman antes da divulgação do vídeo de vigilância, destacando preocupações persistentes sobre práticas em instalações de detenção.