Irã enfrenta apagão de internet após ofensiva militar de EUA e Israel
A população do Irã enfrenta desde o último sábado, 28 de março, um severo apagão de internet que reduziu drasticamente a conectividade do país para menos de 1% do nível normal. Este bloqueio ocorreu imediatamente após uma ofensiva militar conjunta dos Estados Unidos e de Israel contra o território iraniano, em um momento crucial para a nação.
Impacto na comunicação e diplomacia
Com a internet praticamente indisponível, aproximadamente 90 milhões de pessoas no Irã enfrentam dificuldades significativas para se comunicar, conforme destacou nesta segunda-feira, 2 de abril, a iniciativa NetBlocks, que monitora o funcionamento da internet globalmente. O embaixador do Brasil no Irã, André Veras Guimarães, confirmou no sábado à TV Globo que a internet no país foi completamente cortada, criando obstáculos para a diplomacia brasileira estabelecer contato com seus cidadãos na região.
"Enquanto a maioria dos países se esforça para manter a conectividade em tempos de conflito internacional, o Irã silenciou novamente sua própria população", afirmou o NetBlocks em comunicado. Esta declaração faz referência a outros bloqueios de internet impostos pelo regime iraniano ao longo dos anos, caracterizando a medida como uma tática recorrente para limitar a divulgação de incidentes e a participação cívica.
Contexto histórico dos bloqueios
O apagão anterior aconteceu no início de janeiro, em resposta aos protestos contra o governo que tomaram as ruas do país desde o final de 2025. Naquela ocasião, os níveis de conectividade também caíram para cerca de 1% do padrão, afetando inclusive o sinal da Starlink, serviço de internet via satélite que normalmente continua funcionando em situações de crise. Atualmente, não há informações precisas sobre a situação da Starlink no Irã.
"Bloqueios são uma tática recorrente do regime, sendo que o caso anterior, em janeiro, durou várias semanas e mascarou graves violações de direitos humanos", destacou o NetBlocks, enfatizando o padrão histórico de restrições digitais no país.
Histórico de censura digital no Irã
- O primeiro bloqueio de internet imposto pelo regime iraniano ocorreu em 2019, após manifestantes tomarem as ruas em protesto contra aumentos nos preços da gasolina.
- O segundo aconteceu em 2022, durante os protestos após a morte de Mahsa Amini, que havia sido presa por supostamente não usar o véu islâmico adequadamente.
- Naquela ocasião, a internet da Starlink, empresa do bilionário Elon Musk, emergiu como uma das principais alternativas para manter a comunicação, levando posteriormente à proibição de suas antenas no país.
- Em 2025, o Irã acusou o WhatsApp de espionar usuários e colaborar com Israel, alegação que a Meta, proprietária do aplicativo, negou categoricamente, afirmando que as mensagens são criptografadas e inacessíveis a terceiros.
Este cenário de desconexão digital ocorre em um momento particularmente sensível, após o assassinato do aiatolá Khamenei em ataques aéreos conduzidos pelos Estados Unidos e por Israel, intensificando o isolamento informativo da população iraniana e complicando ainda mais a situação diplomática internacional.
