Brasil e Interpol lançam força-tarefa sul-americana contra crime organizado
Força-tarefa sul-americana contra crime organizado é lançada

Brasil e Interpol unem forças para combater crime organizado na América do Sul

Os países da América do Sul passarão a atuar de forma integrada no combate ao crime organizado através de uma parceria histórica entre o Ministério da Justiça e Segurança Pública do Brasil e a Interpol. O foco principal será o enfrentamento ao tráfico internacional de drogas, que tem se expandido de maneira alarmante na região.

Investimento brasileiro e estrutura operacional

O governo brasileiro financiará a iniciativa com um orçamento previsto de R$ 11 milhões para o primeiro ano de operação. O recrutamento de policiais de todos os países sul-americanos começará em março de 2026 para formar a força-tarefa, que funcionará no escritório da Interpol em Buenos Aires, Argentina.

O modelo será inspirado nas Ficcos (Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado), que reúnem a Polícia Federal e as polícias estaduais brasileiras em atuação coordenada, com compartilhamento de inteligência e operações conjuntas. Diante dos resultados positivos obtidos pelas Ficcos no enfrentamento às facções criminosas no Brasil, a Interpol decidiu replicar o modelo em escala internacional.

Funcionamento e objetivos da força-tarefa

Na prática, profissionais de segurança pública de todas as nações sul-americanas serão recrutados para atuar de forma conjunta. A previsão é que, entre 30 e 60 dias após o início do recrutamento, a força-tarefa já esteja com atividades operacionais em andamento e produzindo relatórios conjuntos de inteligência.

Os agentes terão acesso direto aos bancos de dados globais da Interpol, o que permitirá ampliar significativamente o intercâmbio de informações e viabilizar operações integradas entre os países participantes. "É um modelo de força-tarefa mesmo. Eles vão sentar lado a lado, trazendo as informações que têm sobre as organizações, sobre os líderes e sobre os ativos e, a partir dali, com base nas informações dos outros países, produzir relatórios de inteligência", explicou o secretário-geral da Interpol, Valdecy Urquiza.

Os principais objetivos incluem:

  • Rastrear e prender os chefes das organizações criminosas
  • Identificar e apreender ativos e bens das organizações
  • Focar na estrutura financeira que sustenta o tráfico
  • Dar atenção especial às áreas de fronteira

Contexto político e internacional

Segundo Valdecy Urquiza, o modelo começou a ser desenhado a partir de uma visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à sede da Interpol, quando se discutiu como a organização poderia ampliar o apoio ao combate ao crime organizado. A partir desse diálogo, foi estruturada a proposta de replicar o modelo brasileiro na América do Sul.

O presidente Lula tem reiterado que o enfrentamento ao crime organizado é uma das pautas prioritárias do governo, especialmente diante da expansão de grupos criminosos e do avanço do tráfico transnacional de drogas na região. O tema também ganhou centralidade na agenda internacional em meio à pressão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra o narcotráfico.

Urquiza afirmou que, embora sediada na América do Sul, a ação terá reflexos globais, uma vez que as rotas de tráfico locais alimentam mercados na Europa, Ásia e América do Norte. Ele destacou que os países da América do Sul já manifestaram interesse em participar do projeto.

Compromisso institucional e financiamento

A Senad (Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas), do Ministério da Justiça, será responsável pelo financiamento do projeto e pela formulação de políticas públicas baseadas nas evidências colhidas pela força-tarefa.

O ministro da Justiça, Wellington Lima e Silva, afirmou que ao assumir o cargo, ouviu do presidente Lula a orientação de que o enfrentamento ao crime organizado deveria deixar de ser apenas uma política de governo e passar a ser tratado como uma política de Estado. "Esta é uma pauta que tem tocado de perto a população brasileira. Todas as pesquisas indicam esse nível de prioridade. E é possível e necessário que tenhamos condições objetivas, tanto pelo marco legal quanto pelos critérios de financiabilidade e pelas iniciativas como essa, de elevar essa iniciativa a um patamar de prioridade, inegavelmente", declarou o ministro.

O anúncio oficial da parceria foi feito nesta segunda-feira (23 de fevereiro de 2026) no Ministério da Justiça em Brasília, marcando um novo capítulo na cooperação internacional contra o crime organizado na América do Sul.