Filho da princesa herdeira da Noruega enfrenta julgamento por múltiplas acusações graves
Marius Borg Hoiby, filho mais velho da princesa herdeira Mette-Marit da Noruega, comparece ao Tribunal Distrital de Oslo nesta terça-feira (3) para enfrentar um julgamento que promete ser longo e conturbado. O processo judicial envolve nada menos que 38 acusações criminais, incluindo crimes graves como estupro, abuso em relacionamento íntimo, atos de violência contra ex-companheiras e transporte de substâncias ilícitas.
Acusações detalhadas e possível pena
As denúncias contra Hoiby, de 29 anos, concentram-se em quatro episódios de estupro supostamente ocorridos entre 2018 e novembro de 2024. Além disso, incluem episódios de violência e ameaças contra uma ex-parceira entre o verão de 2022 e o outono de 2023, além de dois supostos atos de violência contra uma parceira posterior. A acusação também menciona violações de uma ordem de restrição e infrações de trânsito.
Os promotores do caso afirmam que, se condenado, Hoiby pode enfrentar até dez anos de prisão. O julgamento está previsto para durar até meados de março, indicando a complexidade e gravidade das acusações.
Posição da defesa e da família real
O advogado de defesa Petar Sekulic já se manifestou publicamente, declarando que seu cliente "nega todas as acusações de abuso sexual, bem como a maioria das acusações relacionadas à violência". Sekulic acrescentou que Hoiby "apresentará um relato detalhado de sua versão dos acontecimentos perante o tribunal".
Em declaração rara, o príncipe herdeiro Haakon, padrasto de Hoiby, afirmou na quarta-feira que ele e Mette-Marit não pretendem comparecer ao tribunal e que a Casa Real não comentará o caso durante o processo. Haakon ressaltou que Hoiby não faz parte da Casa Real e que, como cidadão norueguês, tem os mesmos deveres e direitos que qualquer outra pessoa.
Caso constrangedor para a monarquia norueguesa
Embora a família real norueguesa costume manter alta popularidade no país, o caso Hoiby lançou uma sombra significativa sobre sua imagem pública. O julgamento ocorre em um momento particularmente delicado, quando a própria princesa Mette-Marit enfrenta críticas por suas conexões passadas com o financiador americano Jeffrey Epstein.
Documentos divulgados recentemente revelaram que Mette-Marit utilizou uma propriedade de Epstein na Flórida em 2013, através de um amigo em comum. A princesa já havia se manifestado em 2019, expressando arrependimento por ter mantido contato com Epstein, e reiterou recentemente: "Demonstrei mau julgamento e me arrependo de ter tido qualquer contato com Epstein".
Contexto familiar e histórico legal
Marius Borg Hoiby é filho de Mette-Marit de um relacionamento anterior ao seu casamento com o príncipe herdeiro Haakon. Ele não possui título real nem funções oficiais na monarquia norueguesa, mas seu status como membro da família real amplificou significativamente a atenção pública sobre seu caso.
O acusado esteve sob escrutínio policial desde que foi preso repetidas vezes em 2024 por diferentes suspeitas de irregularidades. Ele respondeu em liberdade enquanto aguardava o julgamento, que agora se inicia com todas as formalidades legais.
Este não é o único caso que tem causado publicidade negativa para a família real norueguesa recentemente. As iniciativas comerciais da princesa Märtha Louise, irmã de Haakon, também têm sido alvo de críticas, especialmente após seu casamento em 2024 com um norte-americano que se apresenta como xamã.
O julgamento de Hoiby representa um teste significativo para a imagem pública da monarquia norueguesa, tradicionalmente vista como próxima do povo e acima de escândalos. Os próximos meses determinarão não apenas o futuro legal do acusado, mas também o impacto duradouro deste caso na percepção pública da família real.