Ex-príncipe Andrew é detido por polícia britânica em investigação sobre caso Epstein
Nesta quinta-feira (19), o ex-príncipe Andrew, de 66 anos, foi preso pela polícia do Reino Unido em uma operação que está diretamente ligada às investigações sobre seu envolvimento com o financiador Jeffrey Epstein. Andrew, que é o terceiro filho da falecida rainha Elizabeth II, foi detido sob a acusação de "má conduta em cargo público", conforme confirmado pelas autoridades britânicas.
Prisão está relacionada a vazamento de informações confidenciais
Segundo informações da rede de televisão BBC, que divulgou a notícia em primeira mão, a prisão do ex-príncipe está conectada a uma investigação aberta há dez dias pela polícia britânica. As autoridades estão apurando alegações de que Andrew teria enviado informações confidenciais do governo britânico para Jeffrey Epstein, o financista americano condenado por tráfico sexual que morreu na prisão em 2019.
Antes de ter seu nome vinculado ao escândalo Epstein, Andrew era informalmente conhecido como o favorito entre os quatro filhos da rainha Elizabeth II. Sua trajetória era marcada por uma carreira militar de destaque, onde serviu como tenente da marinha por 22 anos, além dos diversos serviços prestados à coroa britânica.
Trajetória militar e perda progressiva de títulos reais
A carreira militar de Andrew começou em 1979, quando ingressou no Colégio Naval Real. Durante seu serviço, atuou como piloto de helicóptero, participou da Guerra das Malvinas e acumulou diversas condecorações militares ao longo de mais de duas décadas de serviço.
No entanto, sua relação com Epstein começou a desencadear uma série de consequências:
- Em 2020, já afastado da vida pública devido ao caso, Andrew renunciou a uma promoção militar que receberia ao completar 60 anos
- Em 2022, perdeu todos os seus títulos militares e o direito de usar o tratamento de "sua alteza" por decisão da rainha Elizabeth II
- Em 2025, o rei Charles III retirou definitivamente o título de príncipe, fazendo com que Andrew passasse a ser conhecido apenas como Andrew Mountbatten-Windsor
A perda dos títulos reais foi uma resposta direta ao processo civil movido nos Estados Unidos, no qual Andrew era acusado de agredir sexualmente Virginia Giuffre, então com 17 anos, em 2001. Com a destituição final de seus títulos, Andrew também perdeu o direito de morar no Royal Lodge e se mudou para uma casa de campo no complexo de Sandringham, propriedade particular do rei Charles III.
Histórico de envolvimento com Epstein e acusações sexuais
O ex-príncipe Andrew conheceu Jeffrey Epstein em 1999 através de Ghislaine Maxwell, que o apresentou como um bilionário influente de Nova York. A amizade se fortaleceu nos anos seguintes, e Andrew, atuando como enviado especial britânico para o comércio internacional na época, teria usado contatos de Epstein para negócios internacionais.
As acusações mais graves surgiram em 2011, quando uma foto de 2001 veio à tona mostrando Andrew com o braço na cintura de Virginia Giuffre, então com 17 anos, com Ghislaine Maxwell ao fundo. A imagem se tornou um símbolo das acusações, com Giuffre alegando ter sido traficada por Epstein para encontros sexuais com Andrew em três ocasiões distintas: Londres, Nova York e a ilha privada de Epstein.
Andrew sempre negou veementemente todas as acusações, chegando a sugerir em entrevista à BBC em 2019 que a foto havia sido adulterada e que não conhecia Giuffre. No entanto, a pressão pública o forçou a renunciar a funções reais públicas e cortar laços formais com Epstein.
Desenvolvimentos recentes e acordo milionário
Em 2022, Andrew chegou a um acordo extrajudicial com Virginia Giuffre, pagando uma indenização estimada em US$ 16 milhões para encerrar o processo civil sem admitir culpa. Porém, novas revelações em 2025 reacenderam as investigações:
- E-mails de Epstein que desacreditavam Giuffre vieram à tona
- Fotos inéditas de Andrew em festas com Epstein foram divulgadas
- Novas acusações surgiram sobre vazamento de relatórios comerciais confidenciais
- Há alegações de que Andrew pressionou seguranças para "desenterrar sujeira" sobre Giuffre
Estes desenvolvimentos levaram à perda definitiva de todos os títulos reais em outubro de 2025 por ordem do rei Charles III e, agora, à prisão do ex-príncipe pela polícia britânica. A investigação continua em andamento, com autoridades examinando todas as evidências relacionadas ao suposto vazamento de informações governamentais confidenciais para Jeffrey Epstein.



