Ex-ministra do Supremo do Chile é presa em Santiago por suspeitas de corrupção
A ex-ministra da Suprema Corte do Chile, Ángela Vivanco, foi presa na noite de domingo (24) pela polícia chilena, em sua residência na capital Santiago. A detenção marca um momento histórico no Judiciário do país, sendo a primeira vez que alguém que ocupou os mais altos cargos da corte máxima é algemado.
Caso 'trama belarrusa' envolve suspeitas graves
Vivanco é investigada pelo Ministério Público chileno por suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro, no âmbito do caso conhecido como "trama belarrusa". A apuração se concentra em decisões judiciais que teriam beneficiado o consórcio chileno-belorrusso Belaz Movitec, resultando em uma derrota significativa para a estatal Codelco.
A empresa estatal foi onerada em cerca de US$ 20 milhões, o equivalente a aproximadamente R$ 103 milhões na cotação atual. A prisão já era aguardada pela mídia local, uma vez que a investigação tramita há mais de um ano na corte chilena.
Cena da prisão e negação das acusações
Durante a detenção, a ex-magistrada deixou sua residência algemada, tentando esconder as mãos com a roupa. Vivanco, que exerceu o cargo de 2018 a 2024, nega veementemente as acusações de ter recebido pagamentos ilícitos.
Segundo a Promotoria, os supostos pagamentos teriam ocorrido enquanto ela integrava o tribunal e substituía o então presidente do colegiado, Sergio Muñoz. A investigação sustenta que a proximidade entre Vivanco e outras partes envolvidas não foi declarada durante a análise do processo.
Envolvimento de outras figuras e contexto do caso
O caso também envolve o companheiro de Vivanco, Gonzalo Migueles, que está preso desde outubro do ano passado e é apontado como receptor dos valores investigados. Além dele, os advogados Eduardo Lagos e Mario Vargas, que atuaram em favor da Movitec no litígio com a Codelco, estão sendo processados e continuam detidos na penitenciária Capitán Yáber.
A queda da ex-porta-voz do tribunal começou após seu nome aparecer em mensagens ligadas a outro caso e culminou em sua destituição, em outubro de 2024. Na ocasião, a corte apontou irregularidades funcionais e conduta inadequada no processo envolvendo a Codelco.
Declarações oficiais e impacto no Judiciário
Em 2024, Ricardo Blanco, então presidente do tribunal, declarou: "A senhora Ángela Vivanco Martínez não teve um bom comportamento no exercício de suas funções, e, em consequência, estabelece-se a remoção de seu cargo como ministra desta Suprema Corte de Justiça".
De acordo com a porta-voz do governo naquele momento, Camila Vallejo, este é "o maior caso de corrupção da história recente" do Chile. A decisão do Supremo afirmou que Vivanco "incorreu em um comportamento que afeta os princípios de independência, imparcialidade, probidade, integridade e transparência que regem os membros da magistratura".
Trajetória e contexto político
Vivanco chegou à Suprema Corte em 2018, indicada pelo governo do ex-presidente Sebastián Piñera (2018-2022), que morreu em 2024 em um acidente de helicóptero, e ratificada pelo Senado. Sua prisão aprofundou a crise no Judiciário chileno, levantando questões sobre a integridade das instituições.
Este caso sem precedentes destaca os desafios enfrentados pelo sistema judicial no combate à corrupção em altos escalões, com repercussões que podem influenciar a confiança pública nas autoridades chilenas.