Departamento de Justiça dos EUA libera milhões de arquivos de Epstein e nega proteção a Trump
O Departamento de Justiça dos Estados Unidos realizou nesta sexta-feira, 30 de janeiro de 2026, uma divulgação massiva de documentos relacionados ao caso Jeffrey Epstein. Foram liberadas mais de três milhões de páginas de arquivos, incluindo materiais inéditos que prometem reacender um dos maiores escândalos de tráfico sexual da história recente.
Conteúdo inédito e dimensões impressionantes
Segundo o vice-procurador-geral Todd Blanche, que anunciou oficialmente a liberação, os novos documentos incluem mais de 2 mil vídeos e 180 mil imagens. Blanche destacou que esses materiais contêm grandes quantidades de pornografia comercial, mas garantiu que todas as imagens de mulheres serão censuradas, com exceção das fotos de Ghislaine Maxwell, cúmplice condenada de Epstein.
Esta divulgação representa um avanço significativo em relação aos arquivos anteriormente disponíveis. Antes desta sexta-feira, haviam sido liberados 12.285 documentos, totalizando 125.575 páginas – menos de 1% do que foi divulgado agora.
Negativa de proteção a Trump
Um dos aspectos mais polêmicos da divulgação foi a negação categórica de que o governo tenha protegido o presidente Donald Trump durante o processo de revisão dos arquivos. Questionado especificamente sobre uma possível interferência presidencial, o vice-procurador-geral foi enfático:
"Não protegemos Trump na divulgação dos arquivos", afirmou Blanche, descartando qualquer participação do governo na filtragem dos documentos.
Esta declaração ganha importância considerando que Trump aparece de forma destacada nos arquivos já divulgados, incluindo várias fotos ao lado de Epstein. O republicano foi citado em múltiplas páginas dos documentos, embora nunca tenha sido acusado formalmente de crimes relacionados ao caso.
Contexto histórico e figuras envolvidas
Jeffrey Epstein, bilionário americano, morreu em uma prisão de Nova York em 2019 enquanto aguardava julgamento por tráfico sexual de menores. Sua morte foi oficialmente declarada como suicídio, mas permanece envolta em controvérsias e teorias conspiratórias.
Os documentos divulgados anteriormente já haviam lançado luz sobre os extensos vínculos de Epstein com:
- Executivos de grandes corporações
- Celebridades internacionais
- Acadêmicos renomados
- Políticos influentes
Entre as figuras políticas mais mencionadas estão o ex-presidente Bill Clinton e o atual presidente Donald Trump, que mantiveram amizade próxima com Epstein durante anos.
Co-conspiradores e justiça incompleta
Talvez os documentos mais significativos divulgados até agora sejam dois e-mails do FBI, datados de julho de 2019, que mencionam dez "co-conspiradores" de Epstein. No entanto, esses nomes aparecem tarjados (censurados) nos e-mails, mantendo o anonimato dessas pessoas.
Até o momento, apenas Ghislaine Maxwell – ex-namorada e principal cúmplice de Epstein – foi formalmente acusada e condenada em relação aos crimes. Ela cumpre pena de 20 anos de prisão por recrutar menores para o esquema de tráfico sexual.
Processo de transparência e controvérsias políticas
A liberação dos arquivos ocorre após a sanção, em novembro, da Lei de Transparência dos Arquivos Epstein. No entanto, o processo tem sido marcado por atrasos e acusações políticas.
Os democratas, que lideram o Comitê de Supervisão da Câmara dos Estados Unidos, acusam o governo Trump de reter documentos intencionalmente e retardar o processo de divulgação. Eles alegam que o objetivo seria proteger o presidente de revelações comprometedoras.
Por outro lado, a procuradora-geral dos EUA, Pam Bondi, justificou os atrasos anteriores pela necessidade de proteger as identidades das vítimas, que ela definiu como principal prioridade do Departamento de Justiça.
Promessas políticas e teorias conspiratórias
Donald Trump, durante sua campanha eleitoral, prometeu liberar todos os documentos relacionados ao caso Epstein caso retornasse à Casa Branca. Em janeiro, quando o republicano divulgou alguns arquivos sobre a investigação, criou-se um clima de insatisfação, pois as informações já eram conhecidas do público.
Essa situação fez com que o presidente se tornasse alvo de uma teoria da conspiração dentro de sua própria base política, o movimento Make America Great Again (MAGA). Alguns apoiadores passaram a acreditar que Trump estaria em uma lista secreta de pessoas que se beneficiavam do esquema de Epstein.
A divulgação massiva desta sexta-feira promete reacender debates sobre:
- A extensão real das redes de Epstein
- A responsabilidade de figuras públicas envolvidas
- A transparência do sistema judicial americano
- As dinâmicas de poder que permitiram a operação do esquema por anos
Com milhões de páginas agora disponíveis para análise, especialistas e investigadores terão material para anos de estudo, enquanto o público aguarda novas revelações sobre um dos casos mais sombrios da história recente dos Estados Unidos.