Governo dos EUA afasta agentes federais após morte de cidadão americano em Minneapolis
EUA afastam agentes que mataram cidadão em Minneapolis

Nos Estados Unidos, o governo determinou o afastamento de dois agentes federais de imigração nesta quarta-feira, dia 28, após eles serem responsabilizados pela morte de um cidadão americano em Minneapolis. A medida ocorre quatro dias após o assassinato de Alex Pretti, que foi baleado pelos agentes em um episódio que gerou ampla controvérsia e protestos.

Contradições na versão oficial

Um relatório preliminar divulgado pelas autoridades contradisse a narrativa inicial apresentada por integrantes do governo. O documento oficial não menciona nenhuma tentativa de Alex Pretti ameaçar os agentes com uma arma em punho, como havia sido alegado anteriormente. Na verdade, a arma que ele portava legalmente estava na cintura e foi retirada pelos agentes após o incidente, levantando questões sobre a conduta durante a operação.

Mudança de tom na Casa Branca

Dentro da Casa Branca, a postura em relação ao caso tem se alterado significativamente. No sábado, dia 24, Stephen Miller, um dos principais conselheiros do presidente Donald Trump, classificou Pretti como um terrorista doméstico e afirmou que ele tentou assassinar os agentes federais. No entanto, nesta quarta-feira, Miller admitiu publicamente que os agentes talvez não tenham seguido os protocolos corretos durante a intervenção, indicando uma revisão na abordagem do governo.

Tensão persistente em Minneapolis

Em Minneapolis, o clima continua tenso e marcado por incidentes relacionados ao caso. Na terça-feira, dia 27, um agente tentou invadir o consulado do Equador na cidade. Ao ser impedido por um funcionário, o agente ameaçou: “Não encosta em mim ou vou te agarrar”. O funcionário respondeu afirmando que se tratava de uma propriedade de um governo estrangeiro, o que levou o agente a desistir da tentativa de entrada.

Ataque a deputada da oposição

Também na terça-feira, um homem atacou a deputada federal Ilhan Omar, da oposição democrata, enquanto ela fazia críticas ao governo. O agressor jogou um líquido em sua direção, em um ato que reflete a polarização política no país. Ilhan Omar, que nasceu na Somália e se naturalizou americana, já foi alvo de insultos por parte de Donald Trump, que a chamou de “lixo” em ocasiões anteriores.

Reações culturais e memoriais

O cantor Bruce Springsteen traduziu o sentimento de parte da população americana ao divulgar, nesta quarta-feira, uma música dedicada aos imigrantes e à memória de Alex Pretti. A letra inclui a frase: “Lembraremos os nomes dos que morreram nas ruas de Minneapolis”, destacando o impacto emocional e social do ocorrido. Este gesto artístico reforça como o caso tem ecoado além das esferas políticas, tocando a cultura e a sociedade civil.

O afastamento dos agentes e as investigações em curso sinalizam um momento crítico para as políticas de imigração e segurança nos Estados Unidos, com Minneapolis no centro do debate nacional sobre direitos civis e abuso de autoridade.