Em uma entrevista contida nos documentos recentemente liberados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, o falecido financista Jeffrey Epstein se autodenominou um "predador sexual de categoria um", que ele mesmo classificou como "o mais baixo" na escala. Este material faz parte de um extenso conjunto de arquivos que vem sendo tornado público desde o ano passado pela autoridade judicial norte-americana.
Divulgação massiva de documentos
Na última sexta-feira, foram divulgadas aproximadamente três milhões de páginas, além de 180 mil imagens e dois mil vídeos relacionados ao caso Epstein. A entrevista em questão, cuja data exata não foi informada, mostra Epstein sendo questionado se seria um predador sexual de categoria três. Ele responde de maneira direta e contundente: "Categoria um. Sou o mais baixo".
Identidade do entrevistador e diálogos reveladores
Embora o entrevistador não apareça nas imagens, há fortes indícios de que se trate de Steve Bannon, ex-assessor do ex-presidente Donald Trump durante os primeiros meses do primeiro mandato republicano. Em outro momento da conversa, Epstein é questionado se seria "o próprio diabo". Sua resposta foi evasiva: "Não, mas tenho um bom espelho".
O entrevistador insistiu, afirmando que a pergunta era séria, antes que a gravação fosse interrompida. Epstein então declarou: "Não sei. Porque você diria isso? [...] O diabo me assusta". Este trecho específico gerou ampla repercussão nas redes sociais, com usuários analisando a linguagem corporal do criminoso durante a negação.
Discussão sobre a origem da fortuna
Na mesma entrevista, Jeffrey Epstein também abordou a origem de sua vasta fortuna. Questionado se o dinheiro que acumulou poderia ser considerado "dinheiro sujo", ele respondeu categoricamente: "Não, não é". E completou: "Eu mereci".
Defesa ética e doações
O entrevistador rebateu argumentando que Epstein teria construído sua riqueza aconselhando "as piores pessoas do mundo, que fazem coisas terríveis, tudo para ganhar mais dinheiro". O financista respondeu que "a ética é sempre um assunto complicado" e acrescentou que doou recursos para iniciativas voltadas à erradicação da poliomielite no Paquistão e na Índia.
Durante a conversa, o entrevistador propôs um cenário hipotético no qual Epstein entraria em um hospital e diria às pessoas mais pobres que o dinheiro disponível vinha de um criminoso. Em seguida, questionou qual seria a porcentagem de pessoas que recusariam os recursos. "Qual é a porcentagem de pessoas que diriam: 'Não me importo, quero o dinheiro para os meus filhos?'", perguntou. Epstein respondeu: "Eu diria que todos diriam: 'Quero o dinheiro para os meus filhos'".
Conteúdo dos novos documentos
Os documentos divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos incluem informações detalhadas sobre o período em que Epstein esteve preso, como um relatório psicológico, além de registros relacionados às circunstâncias de sua morte e a investigações envolvendo Ghislaine Maxwell, condenada por ajudar no tráfico sexual de menores.
Rede de contatos exposta
Os arquivos também reúnem páginas de e-mails trocados entre Epstein e diversas figuras públicas norte-americanas e internacionais, entre elas o então presidente Donald Trump. A maioria das mensagens é de mais de uma década atrás e expõe as relações mantidas pelo financista ao longo dos anos com personalidades influentes.
Jeffrey Epstein, então com 66 anos, foi preso em 6 de julho de 2019 após ser acusado de tráfico sexual. Cerca de um mês depois, o multimilionário foi encontrado morto em sua cela. A autópsia oficial concluiu que a morte foi causada por suicídio, embora essa versão continue sendo alvo de questionamentos e teorias conspiratórias.
Repercussão política atual
A divulgação desses documentos ocorre em um momento de intensa repercussão política. Recentemente, o ex-presidente Donald Trump ameaçou processar o comediante Trevor Noah após piadas sobre a ilha de Epstein feitas durante o Grammy Awards. Trump voltou a negar qualquer ligação com a ilha do financista, reforçando sua posição de distanciamento do caso.
Este episódio ilustra como o legado de Jeffrey Epstein continua a gerar controvérsias e debates sobre justiça, poder e impunidade, anos após sua morte e a condenação de seus cúmplices.