Documentos expõem vínculos da elite britânica com criminoso sexual Jeffrey Epstein
O ex-príncipe Andrew Mountbatten-Windsor, preso em sua residência nesta quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026, pela polícia do Reino Unido, não está sozinho entre os membros da elite britânica citados nos milhões de documentos divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos relacionados ao falecido predador sexual Jeffrey Epstein. As revelações abrangem figuras proeminentes que mantiveram contato com o criminoso mesmo após sua condenação em 2008.
Sarah Ferguson e a relação contínua com Epstein
Os novos arquivos revelam trocas de e-mails e mensagens que expõem a proximidade entre a ex-mulher de Andrew e ex-Duquesa de York, Sarah Ferguson, e Jeffrey Epstein. Em uma mensagem de 2009, Epstein afirmou ter custeado voos "da Duquesa e das meninas de Heathrow para Miami", em referência a Ferguson e suas filhas, princesas Eugenie e Beatrice.
Em 2010, Ferguson enviou uma comunicação na qual chamou Epstein de "lenda" e agradeceu por sua "generosidade e gentileza". Os documentos indicam ainda que Epstein pediu que Ferguson emitisse uma declaração pública afirmando que ele "não era pedófilo", mas não há evidências de que ela tenha atendido ao pedido.
Em 2011, a então Duquesa reconheceu que o financista a ajudou a quitar dívidas pessoais e pediu desculpas publicamente por seu "terrível erro" de se envolver com ele. Apesar dessa declaração, os registros mostram que o contato entre os dois continuou nos anos seguintes, levantando questões sobre a natureza duradoura dessa relação.
Peter Mandelson e as transações financeiras
O ex-embaixador britânico nos Estados Unidos, Peter Mandelson, também é citado extensivamente nos documentos relacionados ao caso Epstein. No início de fevereiro de 2026, o político renunciou à sua filiação ao Partido Trabalhista após novas informações sobre sua relação com o notório predador sexual serem reveladas ao público.
Os documentos mostram Mandelson mantendo Epstein informado sobre alterações na política fiscal britânica e incluem extratos bancários que evidenciam pagamentos feitos pelo criminoso ao político. Os registros financeiros expostos nas peças processuais mostram três depósitos separados de 25 mil dólares cada, enviados diretamente das contas bancárias de Epstein para Mandelson.
O ex-embaixador respondeu às alegações afirmando que "acredita que as alegações são falsas", mas reconheceu que "precisam ser investigadas", uma vez que declarou "não ter registro ou lembranças" dessas transações. Os arquivos também incluem uma controversa fotografia de Mandelson vestindo apenas cuecas ao lado de uma mulher não identificada.
Crise política e reações do governo
Após as novas revelações, o primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, acusou Mandelson de criar uma série de mentiras sobre seus vínculos com Epstein e alegou ter agido rapidamente para retirar todos os títulos honoríficos do diplomata. Starmer foi além, acusando publicamente Mandelson de "trair" o Reino Unido através de suas ações.
A prisão do Príncipe Andrew e as revelações sobre outros membros da elite britânica criaram uma crise política significativa no país, pressionando o governo de Starmer a tomar medidas decisivas. A situação expõe as complexas relações entre figuras públicas de alto escalão e um criminoso sexual condenado, levantando questões éticas e legais que continuam a ser investigadas.
Os documentos divulgados representam apenas uma parte do material relacionado ao caso Epstein, sugerindo que mais revelações podem surgir nos próximos meses conforme as investigações avançam tanto no Reino Unido quanto nos Estados Unidos.



