Corpo de brasileira desaparecida no Canadá é identificado após três anos
A Polícia do Canadá confirmou oficialmente a identidade do corpo encontrado em uma floresta na província de Quebec, que pertence à brasileira Letícia Alves de Oliveira, natural de Goiânia, que estava desaparecida há três anos. A identificação foi realizada na última quinta-feira (26), trazendo um desfecho trágico para uma longa busca familiar.
Trajetória de estudos e dedicação religiosa
Segundo o irmão Frederico Alves de Oliveira, Letícia era uma pessoa extremamente estudiosa e dedicada. Ela se formou em química pela Universidade Federal de Goiás (UFG) e conquistou o título de mestre em ciências pelo Instituto Tecnológico Aeronáutico (ITA). Interrompeu o doutorado no ITA, onde planejava um programa sanduíche em parceria com o MIT em Boston, para se dedicar integralmente à sua fé na Igreja Adventista do Sétimo Dia.
"A Letícia era uma pessoa muito estudiosa e aplicada no que fazia, sempre se dedicando a atividades esportivas e trabalho voluntário na sua fase jovem", afirmou Frederico. Ela atuava na colportagem, vendendo livros da igreja como forma de sustento, e realizou diversos cursos de carreira missionária antes de deixar o Brasil.
Circunstâncias do desaparecimento e morte
O corpo de Letícia foi encontrado em 2023 na floresta de Quebec, mas a confirmação da identidade só ocorreu agora. A ONG Unidentified Human Remains Canada indicou que a provável causa da morte foi hipotermia. O último contato com a família aconteceu em 2023, através das redes sociais.
Frederico detalhou que a irmã iniciou um processo de solicitação de visto americano em um escritório de advocacia em Boston em 2023. Em dezembro do mesmo ano, ela se comunicou pela última vez com os familiares. Entre janeiro e abril de 2024, Letícia ficou detida pela Polícia de Imigração dos Estados Unidos, período em que foi coletada uma amostra de DNA que posteriormente auxiliou na identificação do corpo encontrado em Quebec.
Angústia familiar e busca por respostas
O irmão expressou profunda dor e frustração com o desenrolar do caso. "As autoridades não escutaram nosso grito de socorro", declarou ele, referindo-se ao arquivamento do caso pela Polícia Federal. Letícia deixa uma filha de 12 anos, que ansiosamente procurava informações sobre a mãe.
"Permanecem a saudade e a inquietação quanto à forma da morte e o processo de investigação... Não teremos paz até apurar essas circunstâncias", afirmou Frederico. A família solicitou ajuda de autoridades, instituições de ensino onde Letícia estudou, do Consulado e de pessoas com quem ela se relacionou para repatriar o corpo ao Brasil.
Desaparecimento gradual e apagamento digital
Frederico relatou que as redes sociais de Letícia foram gradualmente apagadas, com a conta no Facebook sendo deletada no início de 2024. Este processo aumentou a preocupação e a dificuldade em rastrear seus últimos passos.
A família agora enfrenta o luto e a busca por esclarecimentos sobre os eventos que levaram à morte de Letícia, enquanto tenta trazer seu corpo de volta ao Brasil para um descanso digno.



