Corpo de brasileira desaparecida há dois anos é identificado por DNA no Canadá
A polícia canadense confirmou a identificação do corpo de Letícia Alves de Oliveira, brasileira natural de Goiânia que estava desaparecida há aproximadamente dois anos. O corpo foi encontrado por caçadores em uma floresta na província de Quebec, no Canadá, em abril de 2024, segundo informações da organização Unidentified Human Remains Canada.
Confirmação através de análise genética
Frederico Alves de Oliveira, irmão da vítima, relatou que as autoridades canadenses cruzaram o DNA do corpo com amostras genéticas de Letícia e confirmaram a identificação na última quinta-feira, 26 de setembro. A família foi formalmente comunicada sobre os resultados.
A amostra de DNA utilizada para a identificação foi coletada pela Polícia de Imigração dos Estados Unidos quando Letícia ficou detida entre janeiro e abril de 2024. Este foi um elemento crucial para resolver o caso após anos de incerteza.
Circunstâncias do desaparecimento e descoberta
Letícia estava nos Estados Unidos quando desapareceu. A última comunicação confirmada com a família ocorreu através de redes sociais em 2023, segundo relatos familiares ao portal g1. Em dezembro daquele ano, a família teve o último contato direto com ela.
O corpo foi encontrado vestindo várias peças de roupa de inverno, incluindo:
- Touque (gorro)
- Casaco de inverno
- Jeans
- Meias de lã
- Botas de inverno
Uma autópsia realizada pelas autoridades canadenses indicou que a causa provável da morte foi hipotermia ambiental. Ainda não há informações concretas sobre o translado do corpo para o Brasil.
Trajetória pessoal e profissional
Letícia Alves de Oliveira era formada em Química pela Universidade Federal de Goiás (UFG) e possuía mestrado em Ciências pelo Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA). Segundo familiares, ela havia iniciado um processo de solicitação de visto americano em um escritório de advocacia em Boston em 2023.
"Letícia sonhava alto, queria terminar seu doutorado e sonhava em viver num mundo menos intolerante", declarou Frederico Alves de Oliveira. "Espero que eu redescubra a paz no futuro, mas agora, meu sentimento é de profunda escuridão".
Nos últimos anos de vida, ela interrompeu os estudos no ITA para se dedicar a trabalhos religiosos, incluindo colportagem e ações missionárias. Letícia deixou uma filha, hoje com 12 anos, com quem mantinha contato telefônico enquanto estava no exterior.
Frustração familiar com as investigações
Frederico relatou que a Polícia Federal brasileira havia arquivado o caso da irmã, o que gerou anos de angústia para a família. "As autoridades não escutaram nosso grito de socorro", desabafou o irmão.
Outro aspecto preocupante foi o desaparecimento gradual das redes sociais de Letícia, com a conta no Facebook sendo deletada no início de 2024, aumentando as preocupações familiares sobre seu paradeiro.
A identificação do corpo encerra um capítulo doloroso de incerteza para a família, mas deixa muitas questões sem resposta sobre as circunstâncias exatas que levaram à morte da brasileira em território canadense.



