Análise em câmera lenta revela detalhes da morte de enfermeiro por agentes do ICE em protesto
Câmera lenta mostra detalhes da morte de enfermeiro por ICE

Análise minuciosa de vídeos revela cronologia da morte de enfermeiro durante protesto

O programa Fantástico deste domingo apresentou uma análise detalhada quadro a quadro de imagens gravadas por celulares durante um protesto em Minneapolis. As filmagens revelam informações cruciais sobre a ação de agentes do ICE, a polícia federal de imigração dos Estados Unidos, que resultou na morte do enfermeiro Alex Pretti, de 37 anos.

Sequência precisa dos acontecimentos em poucos segundos

Vídeos capturados de diferentes ângulos por manifestantes mostram que toda a sequência ocorreu em questão de segundos. À primeira vista, os registros parecem mostrar apenas um tumulto generalizado, mas a análise em câmera lenta permite reconstituir a cronologia exata do confronto.

Nas imagens, Alex Pretti aparece no meio da rua segurando apenas um celular. Ele se posiciona entre os manifestantes e um agente do ICE. O agente utiliza spray de pimenta contra Alex e o derruba no chão. Imediatamente, outros agentes chegam ao local e imobilizam o enfermeiro no solo, onde ele sofre várias agressões enquanto permanece caído.

Momento crucial da descoberta da arma

Segundo a análise dos vídeos, o alerta sobre Alex supostamente estar armado surge aproximadamente oito segundos após ele já estar imobilizado no chão. Ao ampliar as imagens, é possível observar um agente retirando uma arma da cintura do enfermeiro e se afastando da confusão.

Em seguida, outro agente saca sua própria arma e dispara cinco tiros à queima-roupa contra Alex, que continuava imobilizado no solo. Mais cinco tiros são efetuados posteriormente, completando um total de dez disparos contra o enfermeiro já contido.

Contradição entre versão oficial e evidências visuais

A secretária do Departamento de Segurança Interna do governo Trump, Christie Nowen, classificou Alex Pretti como terrorista doméstico, alegando que ele teria reagido violentamente ao ser desarmado. A versão oficial sustenta que os agentes agiram em legítima defesa durante o incidente.

Contudo, as imagens analisadas contam uma história diferente. Alex possuía licença legal para portar arma, mas no momento da abordagem inicial segurava apenas seu celular. A pistola foi descoberta somente quando ele já estava no chão e completamente imobilizado pelos agentes. Um dos policiais já havia retirado a arma de Alex antes que outro efetuasse os disparos fatais.

Reação da comunidade e testemunhas

Para moradores e manifestantes presentes no local, o caso configura uma execução sumária. Eles atiraram nele enquanto ele estava no chão, totalmente desarmado. Foi um assassinato, declarou Vincent, uma das testemunhas que participava da vigília em homenagem ao enfermeiro.

Quem era Alex Pretti

Cidadão americano e enfermeiro em um hospital federal para veteranos, Alex era descrito por colegas como profissional dedicado e sensível. Um dos vídeos compartilhados nas redes sociais mostra o enfermeiro homenageando um veterano que havia falecido de câncer, gesto que agora adquire um tom ainda mais simbólico diante das circunstâncias de sua morte.

Homenagens em condições climáticas extremas

Mesmo enfrentando temperaturas gélidas de -23°C, moradores se reuniram na noite de sábado para prestar homenagem ao enfermeiro. Flores, velas e cartazes com frases como isso não é a América e ele deu a vida para proteger a nossa liberdade ocupavam as calçadas ao redor do local do protesto.

Lauren, que dirigiu por trinta minutos até o local, levou sanduíches e chá quente para os participantes da vigília. Eu senti que precisava vir. O que eles estão fazendo é terrível. Estão destruindo o espírito de Minnesota, afirmou emocionada.

Contexto político e escalada de tensões

A morte de Alex Pretti ocorre em meio à maior mobilização do ICE no estado de Minnesota, que recebeu três mil agentes federais deslocados para uma megaoperação contra imigrantes — com foco especial na comunidade somali, alvo frequente de declarações do então presidente Donald Trump.

A operação federal elevou significativamente as tensões na cidade nas últimas semanas:

  • Uma cidadã americana havia sido morta por um agente dias antes do incidente com Alex
  • Um venezuelano foi baleado na perna na semana seguinte
  • Outro caso grave ampliou a revolta popular pouco antes da morte do enfermeiro

O governador Tim Waltz e o prefeito Jacob Frey, ambos democratas, acionaram judicialmente o governo federal solicitando a retirada dos agentes do ICE do estado. Enquanto isso, estabelecimentos comerciais fecharam suas portas e milhares de pessoas tomaram as ruas em protestos contínuos.

Investigação enfrenta obstáculos institucionais

Persistem dúvidas significativas sobre quem conduzirá a investigação do caso. Autoridades estaduais acusam agentes federais de bloquear o acesso à cena do crime e a evidências cruciais, o que pode dificultar substancialmente o esclarecimento completo dos fatos.

Até o momento da análise, Donald Trump não havia dado sinais de que pretendia suspender a operação federal em Minnesota, mantendo o clima de tensão e incerteza na região.