A polícia do Reino Unido cumpriu nesta sexta-feira (6) mandados de busca e apreensão em dois endereços ligados ao político britânico Peter Mandelson, figura central nas revelações mais recentes do caso envolvendo o bilionário americano Jeffrey Epstein. As operações ocorreram em uma propriedade na região de Wiltshire, no sul da Inglaterra, e outra na área de Camden, em Londres, conforme informações divulgadas pela rede de televisão britânica BBC.
Investigação sobre má conduta em cargo público
Os mandados judiciais estão relacionados a uma investigação em andamento sobre possível má conduta em cargo público. A polícia confirmou que não efetuou a prisão do homem envolvido na investigação, identificado pela BBC como sendo Peter Mandelson. As únicas informações pessoais divulgadas pelos agentes indicam que o alvo da operação possui 72 anos de idade.
A força policial emitiu um comunicado afirmando que está analisando cuidadosamente todos os relatos de conduta inadequada "para determinar se atingem o patamar criminal para investigação". Esta ação representa mais um capítulo no escândalo que tem abalado a elite política britânica desde a divulgação massiva de documentos relacionados a Epstein.
Renúncia à Câmara dos Lordes
Peter Mandelson renunciou formalmente à Câmara dos Lordes, a câmara alta do Parlamento britânico, nesta terça-feira (3), conforme reportagem do jornal The Guardian. A decisão ocorreu após novas revelações sobre seus vínculos com Jeffrey Epstein, o financista americano condenado por crimes sexuais que morreu na prisão em 2019.
Segundo Michael Forsyth, presidente da Câmara dos Lordes, Mandelson anunciou que se aposentará da câmara alta do Parlamento a partir de quarta-feira (4). O governo britânico já preparava uma legislação específica para expulsar Mandelson da Câmara dos Lordes e retirar o título de nobreza Lord Mandelson, que ele recebeu com sua nomeação vitalícia ao Parlamento em 2008.
Documentos do Departamento de Justiça dos EUA
O caso ganhou novos contornos com a divulgação de mais de 3 milhões de páginas de documentos relacionados a Epstein pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos. Este conjunto monumental de arquivos trouxe revelações constrangedoras sobre Mandelson, que ocupou cargos de alto escalão em governos trabalhistas anteriores e serviu como embaixador do Reino Unido em Washington.
Os documentos recém-divulgados contêm detalhes específicos sobre os contatos de Mandelson com o financista, incluindo trocas de e-mails com informações políticas sensíveis. Críticos afirmam que algumas dessas comunicações podem ter violado leis britânicas sobre confidencialidade governamental.
Reação do governo britânico
O primeiro-ministro Keir Starmer disse ao seu gabinete nesta terça-feira que ficou "chocado" com as revelações contidas nos novos documentos sobre Epstein e expressou preocupação de que ainda possam surgir mais detalhes comprometedores. Starmer já havia demitido Mandelson do cargo de embaixador em setembro, devido às suas ligações previamente conhecidas com Epstein.
Tom Wells, porta-voz de Starmer, revelou que o governo informou formalmente à polícia que os documentos sobre Mandelson e Epstein continham "prováveis informações sensíveis ao mercado" sobre a crise financeira global de 2008 e seus desdobramentos. Segundo Wells, essas informações não deveriam ter sido compartilhadas fora do círculo governamental.
Contexto pessoal e político
Peter Mandelson é casado com o brasileiro Reinaldo Avila da Silva, que segundo investigações recebeu depósitos que somam aproximadamente £10.000 (cerca de 70 mil reais na cotação atual). Esta conexão financeira tem sido objeto de escrutínio adicional pelas autoridades.
Há aproximadamente um ano, Mandelson ocupava a prestigiosa posição de embaixador britânico em Washington, o cargo mais recente em uma carreira política turbulenta, porém influente. Sua amizade com Jeffrey Epstein acabou custando-lhe essa posição de destaque na diplomacia britânica.
Pressão para depoimento nos EUA
Assim como Andrew Mountbatten-Windsor, irmão do rei Charles III, Mandelson agora enfrenta pressão crescente para esclarecer publicamente sua relação com o falecido criminoso sexual. O ministro Steve Reed afirmou na segunda-feira (2) que ambas as figuras têm uma "obrigação moral" de ajudar as vítimas de Epstein.
"Se alguém tem informações ou evidências que possam compartilhar para ajudar a entender o que aconteceu e levar justiça às vítimas, então deve compartilhá-las, seja Andrew Mountbatten-Windsor, seja Lord Mandelson ou qualquer outra pessoa", declarou Reed em entrevista à Sky News.
Mandelson deixou o Partido Trabalhista no domingo (1), após novas alegações de que teria recebido pagamentos de Epstein há duas décadas. Ele afirmou que estava se afastando para evitar "mais constrangimentos" ao partido, embora tenha negado categoricamente todas as acusações que surgiram a partir dos documentos divulgados pelo Departamento de Justiça americano.
O primeiro-ministro Starmer agora enfrenta pressão política adicional para garantir que Mandelson preste depoimento nos Estados Unidos sobre o que sabia a respeito das atividades criminosas de Epstein, um caso que continua a revelar conexões surpreendentes entre figuras poderosas e o círculo do financista condenado.



