Caso Epstein: Justiça dos Estados Unidos divulga imagens sensíveis e novos documentos
O Departamento de Justiça do governo dos Estados Unidos publicou recentemente dezenas de imagens de jovens nuas, algumas delas possivelmente menores de idade, com seus rostos visíveis nos arquivos do caso Jeffrey Epstein. Epstein, um agressor sexual condenado que manteve uma relação próxima com o ex-presidente americano Donald Trump, faleceu na prisão em 2019, enquanto aguardava julgamento por acusações graves de tráfico sexual de menores. Sua morte foi oficialmente declarada como suicídio.
Imagens controversas e retirada do conteúdo
As imagens em questão estavam entre as mais de 3 milhões de páginas dos arquivos do caso divulgadas na última sexta-feira, dia 30. Alertado pelo renomado jornal The New York Times, que solicitou um posicionamento oficial do governo sobre a divulgação, o Departamento de Justiça tomou a decisão de retirar o conteúdo apontado pelo veículo. Conforme relatado pelo jornal, a análise revelou quase 40 imagens não editadas que pareciam pertencer a uma coleção pessoal de fotos, exibindo tanto corpos nudos quanto os rostos das pessoas retratadas.
As pessoas nas fotografias aparentavam ser jovens, embora não houvesse clareza sobre se eram menores de idade. Algumas das imagens mostravam a ilha particular de Epstein, incluindo uma praia, enquanto outras foram capturadas em quartos e outros espaços privados. Após a notificação do New York Times, uma porta-voz do Departamento de Justiça dos EUA afirmou que a instituição estava trabalhando ininterruptamente para respeitar todas as garantias das vítimas, incluindo a ocultação de informações pessoais identificáveis e quaisquer arquivos que exigissem novas ocultações conforme a lei, especialmente imagens de natureza sexual.
Novos documentos e transparência
Ao anunciar a disponibilização do novo lote de documentos na sexta-feira, o vice-procurador-geral, Todd Blanche, destacou que a nova leva inclui mais de 2 mil vídeos e 180 mil imagens, contendo grandes quantidades de pornografia comercial. Questionado por jornalistas sobre uma possível interferência do ex-presidente Donald Trump, Blanche assegurou que a Casa Branca não participou da revisão dos arquivos, apesar das suspeitas decorrentes da relação próxima entre Epstein e Trump nas décadas de 1990 e 2000.
Blanche garantiu que não houve proteção a Trump na divulgação dos arquivos e anunciou que a liberação das novas evidências marca o fim do processo de revisão realizado pelo departamento, visando transparência ao povo americano e conformidade com a lei.
Histórico da divulgação dos arquivos
A divulgação dos arquivos da investigação começou em dezembro, com o departamento tendo até o dia 19 do mês para publicá-los integralmente, conforme a Lei de Transparência dos Arquivos Epstein, sancionada pelo presidente Donald Trump. No entanto, o prazo não foi respeitado. No dia 23, o governo dos EUA liberou mais de 30 mil documentos, evidenciando a proximidade de Epstein com políticos e famosos, incluindo a citação de uma vítima brasileira. No dia 24 de dezembro, o departamento comunicou que demoraria algumas semanas para liberar o restante dos milhares de documentos, culminando na recente divulgação.