Polícia britânica retoma buscas em locais ligados ao ex-príncipe Andrew após prisão
A polícia do Reino Unido retomou as buscas em endereços ligados ao ex-príncipe Andrew na manhã desta sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026, um dia após sua prisão chocar o mundo e intensificar a crise na família real britânica. Veículos não identificados foram vistos entrando no Royal Lodge, antiga residência oficial de Andrew, onde ele morou até outubro do ano passado, quando foi expulso pelo rei Charles III.
Detalhes da operação policial
Segundo a polícia do Vale do Tâmisa, as buscas também continuam na casa de campo de Sandringham, onde o ex-príncipe reside atualmente. Os veículos que adentraram o Royal Lodge não estavam marcados como da polícia, similar ao ocorrido na quinta-feira. Agências de notícias registraram a movimentação desses carros por volta das 5h20 e 6h40, no horário de Brasília.
O ex-príncipe Andrew, irmão do rei Charles III, foi preso na manhã de quinta-feira e permaneceu cerca de 11 horas na delegacia para depor sob suspeita de má conduta no exercício de cargo público. As autoridades afirmaram que ele "foi liberado enquanto as investigações continuam". A polícia informou que realizou buscas em dois endereços ligados a Andrew: um em Berkshire, a oeste de Londres, e outro em Norfolk, no leste da Inglaterra.
Contexto da investigação
A prisão ocorre uma semana após autoridades britânicas abrirem uma investigação para apurar se o ex-príncipe enviou relatórios confidenciais a Jeffrey Epstein enquanto atuava como representante especial do Reino Unido para o Comércio Internacional. Epstein foi um financista norte-americano acusado de comandar uma rede de abuso sexual de menores e morreu na prisão em 2019.
Arquivos do caso divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos desde dezembro citam Andrew diversas vezes. Entre os materiais, há fotos em que ele aparece ajoelhado ao lado de uma mulher com o rosto censurado. Andrew também foi acusado de agressão sexual por Virginia Giuffre, testemunha central do caso Epstein, quando ela ainda era menor de idade. Giuffre tirou a própria vida na Austrália, em abril de 2025, aos 41 anos.
O ex-príncipe nega todas as acusações, tanto as relacionadas ao envio de informações confidenciais quanto as de agressão sexual. Durante a manhã de quinta-feira, a polícia prendeu um homem na casa dos 60 anos com "motivos razoáveis para suspeitar que um crime ocorreu". O nome não foi divulgado oficialmente, mas a BBC confirmou que se tratava de Andrew, informação posteriormente endossada pela família real.
Reação da família real britânica
Em comunicado, o rei Charles III afirmou ter recebido a notícia "com preocupação", mas declarou que a polícia tem o apoio da família real e que "a lei precisa seguir seu curso". Segundo a BBC, o monarca não foi avisado previamente sobre a prisão. O príncipe William e a princesa Kate também apoiam a posição do rei, de acordo com o serviço de imprensa real.
Os laços entre Andrew e Epstein, revelados por arquivos do caso, colocaram a família real britânica sob pressão. Em outubro do ano passado, Andrew foi destituído de todos os títulos reais por decisão do rei Charles III, após novas revelações sobre a amizade com Epstein. A polícia britânica abriu investigações após as revelações do caso virem à tona e apontarem possíveis conexões com o Reino Unido.
Caso o ex-príncipe seja considerado culpado de má conduta no exercício de cargo público, ele pode ser condenado à prisão perpétua, conforme reportado pela BBC. A imprensa britânica e agências internacionais estavam mobilizadas em frente ao Royal Lodge e à residência de Sandringham, cobrindo os desdobramentos deste caso que abala a monarquia.



